Presidente da Anfavea, Igor Calvet, apresenta os resultados de 2025 e as projeções do setor automotivo para 2026 - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil (Alô Rondônia)
Expectativa do setor automotivo é impulsionada por veículos leves, apesar de juros altos, incertezas econômicas e desafios no comércio exterior.
Porto Velho, Rondônia - A produção de veículos no Brasil deve crescer 3,7% em 2026, segundo projeção divulgada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A estimativa inclui automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, com destaque para os veículos leves, que devem registrar avanço de 3,8% neste ano.
A previsão foi apresentada nesta quinta-feira (15), durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo pelo presidente da entidade, Igor Calvet, que classificou o cenário como de crescimento moderado, porém cercado por fatores de incerteza.
CRESCIMENTO CONTIDO E CENÁRIO DESAFIADOR
De acordo com a Anfavea, o setor segue em trajetória positiva, mas com cautela. “Temos um otimismo contido. Os números continuam crescendo, porém os fatores de imprevisibilidade permanecem”, afirmou Igor Calvet. Entre os principais desafios estão instabilidades geopolíticas, possíveis impactos na cadeia global de fornecimento e a proximidade da entrada em vigor da reforma tributária.
Diante desse cenário, a entidade informou que passará a revisar as projeções trimestralmente, acompanhando de forma mais próxima as mudanças econômicas e regulatórias.
RESULTADOS DE 2025 FICARAM ABAIXO DO ESPERADO
Em 2025, a produção de veículos no país cresceu 3,5% em relação a 2024, totalizando 2,6 milhões de unidades, o que manteve o Brasil na oitava posição no ranking mundial de produção.
As vendas somaram 2,69 milhões de veículos, alta de 2,1%, garantindo ao país a sexta posição no ranking global de mercados consumidores. Apesar do resultado positivo, os números ficaram abaixo das projeções iniciais da Anfavea, que estimava crescimento de 7,8% na produção e 5% nos licenciamentos.
Segundo Calvet, fatores como alta dos juros, discussões sobre o IOF e instabilidade econômica contribuíram para o desempenho mais modesto. “Quando projetamos os números, a taxa de juros era de 12%. Hoje está em 15%, e o setor automotivo é extremamente sensível a esse tipo de variação”, explicou.
EXPORTAÇÕES EM ALTA E IMPORTAÇÕES EM NÍVEL ELEVADO
O comércio exterior foi um dos destaques de 2025. As exportações de veículos cresceram 32,1%, alcançando quase 529 mil unidades, puxadas principalmente pelo mercado argentino, que registrou alta de 85% em relação ao ano anterior.
Para 2026, a expectativa é de um crescimento mais moderado nas exportações, em torno de 1,3%. Já as importações avançaram 6,6% em 2025, com destaque para veículos oriundos de países sem acordo de livre comércio com o Brasil, especialmente a China, responsável por 37,6% dos quase 500 mil veículos importados e emplacados no país.
A Anfavea avalia que as importações tendem a diminuir em 2026, com a entrada em operação de novas fábricas no Brasil, substituindo parte dos veículos antes trazidos do exterior.
CAMINHÕES E O PAPEL DO PROGRAMA MOVE BRASIL
O segmento de caminhões segue como principal ponto de atenção. Em 2025, a produção caiu 46,4%, enquanto os emplacamentos recuaram 9,2%. Segundo a Anfavea, o desempenho fraco contrasta com o crescimento do PIB e está diretamente ligado às taxas elevadas de juros, que dificultam o financiamento.
Nesse contexto, o programa Move Brasil, lançado pelo governo federal, é visto como estratégico para o setor. A iniciativa oferece linhas de crédito com condições mais acessíveis para a compra de caminhões. “É uma medida que pode ajudar a frear as quedas e dar novo fôlego ao segmento”, avaliou Igor Calvet.
O segmento de caminhões segue como principal ponto de atenção. Em 2025, a produção caiu 46,4%, enquanto os emplacamentos recuaram 9,2%. Segundo a Anfavea, o desempenho fraco contrasta com o crescimento do PIB e está diretamente ligado às taxas elevadas de juros, que dificultam o financiamento.
Nesse contexto, o programa Move Brasil, lançado pelo governo federal, é visto como estratégico para o setor. A iniciativa oferece linhas de crédito com condições mais acessíveis para a compra de caminhões. “É uma medida que pode ajudar a frear as quedas e dar novo fôlego ao segmento”, avaliou Igor Calvet.
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