Veto da União Europeia pode afetar exportação de carne em Rondônia? Entenda

Veto às importações de carne bovina brasileira pela União Europeia foi publicado na terça-feira (12). Segundo o Ministério da Agricultura, Rondônia não deve ser afetada pela medida.

Porto Velho, RO - A decisão da União Europeia de vetar as importações de carne bovina brasileira a partir de setembro de 2026 repercutiu no setor pecuário nacional, mas não deve provocar impactos diretos em Rondônia.

O motivo é que o estado atualmente não possui autorização para exportar carne bovina ao mercado europeu.

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Produtores e governo tentam reverter veto europeu à carne brasileira

A medida, anunciada na terça-feira (12), retirou o Brasil da relação de países autorizados a comercializar produtos de origem animal com o bloco econômico, abrangendo carnes e outros derivados.

Apesar da restrição, Rondônia mantém posição estratégica no agronegócio nacional.

O estado possui o sexto maior rebanho bovino do país e também ocupa a sexta colocação entre os maiores exportadores brasileiros de carne bovina.

Segundo a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia, o rebanho estadual soma cerca de 17 milhões de cabeças de gado.

Atualmente, a produção rondoniense abastece importantes mercados internacionais, entre eles China, Rússia e Hong Kong.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, como Rondônia não integra a lista de exportadores habilitados para a União Europeia, a decisão não deve afetar diretamente a cadeia produtiva local.

Impacto nacional

A restrição passa a valer em 3 de setembro de 2026. Até lá, o Brasil segue autorizado a exportar carne e demais produtos de origem animal ao mercado europeu.

Caso a medida não seja revertida, a estimativa do Ministério da Agricultura aponta para perdas anuais de aproximadamente US$ 1,8 bilhão aos exportadores brasileiros.

Além da carne bovina, o veto poderá atingir exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e outros produtos derivados de origem animal.

Especialistas destacam, no entanto, que a medida não deve provocar redução automática nos preços da carne no mercado interno, já que parte da produção pode ser redirecionada para outros destinos comerciais.

Possibilidade de reversão

Segundo a Comissão Europeia, para retornar à lista de países autorizados, o Brasil deverá comprovar o cumprimento integral das exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos ao longo de todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.

Entre as alternativas para reversão estão o endurecimento das restrições legais ao uso desses medicamentos ou a adoção de mecanismos mais rigorosos de rastreabilidade sanitária.

A segunda possibilidade é considerada mais complexa, pois exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações adicionais e elevação dos custos operacionais para produtores e frigoríficos.

A Associação Brasileira de Proteína Animal informou que o país já cumpre as exigências sanitárias impostas pela União Europeia e deverá apresentar documentação técnica para demonstrar conformidade.

Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes reforçou que a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais e sistemas de rastreabilidade reconhecidos globalmente.

Mesmo fora do mercado europeu, Rondônia segue consolidado como uma das principais potências pecuárias do país e mantém papel relevante no abastecimento internacional de carne bovina.

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