O motivo é que o estado atualmente não possui autorização para exportar carne bovina ao mercado europeu.
https://g1.globo.com/jornal-hoje/video/produtores-e-governo-tentam-reverter-veto-europeu-a-carne-brasileira-14609235.ghtml
Produtores e governo tentam reverter veto europeu à carne brasileira
A medida, anunciada na terça-feira (12), retirou o Brasil da relação de países autorizados a comercializar produtos de origem animal com o bloco econômico, abrangendo carnes e outros derivados.
Apesar da restrição, Rondônia mantém posição estratégica no agronegócio nacional.
O estado possui o sexto maior rebanho bovino do país e também ocupa a sexta colocação entre os maiores exportadores brasileiros de carne bovina.
Segundo a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia, o rebanho estadual soma cerca de 17 milhões de cabeças de gado.
Atualmente, a produção rondoniense abastece importantes mercados internacionais, entre eles China, Rússia e Hong Kong.
De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, como Rondônia não integra a lista de exportadores habilitados para a União Europeia, a decisão não deve afetar diretamente a cadeia produtiva local.
Impacto nacional
A restrição passa a valer em 3 de setembro de 2026. Até lá, o Brasil segue autorizado a exportar carne e demais produtos de origem animal ao mercado europeu.
Caso a medida não seja revertida, a estimativa do Ministério da Agricultura aponta para perdas anuais de aproximadamente US$ 1,8 bilhão aos exportadores brasileiros.
Além da carne bovina, o veto poderá atingir exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e outros produtos derivados de origem animal.
Especialistas destacam, no entanto, que a medida não deve provocar redução automática nos preços da carne no mercado interno, já que parte da produção pode ser redirecionada para outros destinos comerciais.
Possibilidade de reversão
Segundo a Comissão Europeia, para retornar à lista de países autorizados, o Brasil deverá comprovar o cumprimento integral das exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos ao longo de todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação.
Entre as alternativas para reversão estão o endurecimento das restrições legais ao uso desses medicamentos ou a adoção de mecanismos mais rigorosos de rastreabilidade sanitária.
A segunda possibilidade é considerada mais complexa, pois exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações adicionais e elevação dos custos operacionais para produtores e frigoríficos.
A Associação Brasileira de Proteína Animal informou que o país já cumpre as exigências sanitárias impostas pela União Europeia e deverá apresentar documentação técnica para demonstrar conformidade.
Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes reforçou que a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, com rígidos controles oficiais e sistemas de rastreabilidade reconhecidos globalmente.
Mesmo fora do mercado europeu, Rondônia segue consolidado como uma das principais potências pecuárias do país e mantém papel relevante no abastecimento internacional de carne bovina.