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Réus Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho) e Monique Medeiros aguardam decisão judicial sobre a continuidade do julgamento do caso Henry Borel, no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro (Alô Rondônia) Crédito: Eduardo Anizelli/Folhapress |
Sessão foi suspensa no primeiro dia após saída dos advogados de Jairinho; nova data foi marcada para maio
Porto Velho, Rondônia – O julgamento do caso Henry Borel, que teve início nesta segunda-feira (23), no Rio de Janeiro, foi adiado após um impasse no plenário do Tribunal do Júri. A sessão foi interrompida depois que a defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, abandonou o julgamento, alegando falta de acesso integral às provas do processo.
Diante da situação, a Justiça remarcou o júri para o dia 25 de maio. A decisão foi tomada ainda durante a sessão desta segunda-feira.
DEFESA ABANDONA JULGAMENTO E PROVOCA ADIAMENTO
Os advogados de Jairinho deixaram o plenário sob o argumento de que não tiveram acesso completo aos elementos do processo, o que, segundo eles, comprometeria o direito à ampla defesa.
Com a saída da defesa, o julgamento não pôde prosseguir. A juíza responsável pelo caso determinou o adiamento e estabeleceu medidas para evitar novos atrasos.
Entre elas, está a possibilidade de acionamento da Defensoria Pública do Rio de Janeiro para atuar no caso, caso haja novo abandono da defesa na próxima data.
JUSTIÇA DETERMINA SOLTURA DE MONIQUE MEDEIROS
Durante a mesma sessão, a Justiça acolheu o pedido de relaxamento da prisão de Monique Medeiros, mãe de Henry e também ré no processo.
A solicitação foi apresentada pela defesa no plenário, sob o argumento de excesso de prazo na prisão preventiva, sem responsabilidade direta da acusada.
Ao analisar o pedido, a juíza entendeu que a manutenção da prisão não se sustentava diante do atual estágio do processo e determinou a soltura de Monique.
Ela estava presa desde 2023, acusada de participação na morte do filho, ocorrida em março de 2021.
ACUSAÇÃO APONTA ROTINA DE VIOLÊNCIA
De acordo com as investigações da Polícia Civil, Henry Borel era vítima de uma sequência de agressões dentro do apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca.
O Ministério Público do Rio de Janeiro sustenta que Jairinho submeteu a criança a episódios de violência física e psicológica, incluindo situações anteriores à morte, registrada em 8 de março de 2021.
A acusação também aponta que Monique Medeiros tinha conhecimento das agressões e não teria impedido a continuidade dos abusos.
DEFESA ALEGA INOCÊNCIA
Antes do início do julgamento, a defesa de Monique afirmou que pretende demonstrar a inocência da acusada. Segundo a advogada, Jairinho seria o responsável direto pelas agressões que levaram à morte da criança.
A estratégia da defesa é sustentar que Monique não teve participação ativa nos crimes e não agiu com omissão deliberada.
CASO TEVE REPERCUSSÃO NACIONAL
A morte de Henry Borel gerou forte comoção em todo o país e impulsionou mudanças na legislação brasileira.
Em 2022, foi sancionada a Lei Henry Borel, que classificou como crime hediondo o homicídio contra menores de 14 anos e ampliou medidas de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.
Além das implicações penais, Jairinho teve o mandato de vereador cassado em 2021, decisão posteriormente mantida pela Justiça.
JULGAMENTO SEGUE SEM DATA DEFINITIVA DE CONCLUSÃO
Com o adiamento, o caso retorna ao Tribunal do Júri no dia 25 de maio, quando deverão ser retomados os depoimentos e debates entre acusação e defesa.
O julgamento é considerado um dos mais emblemáticos do país nos últimos anos e deve continuar sendo acompanhado de perto pela opinião pública e pelas instituições de Justiça.
