Estudo revela que mudança afeta menos de 1% dos custos nos grandes setores e pode reduzir desigualdades trabalhistas
Porto Velho, Rondônia – Um estudo técnico divulgado nesta terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que a eventual redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas, substituindo o modelo predominante de 44 horas associado à escala 6x1, teria impacto limitado no custo operacional das empresas brasileiras — ficando abaixo de 1% em setores como indústria e comércio.
CUSTO É BAIXO PARA INDÚSTRIA E COMÉRCIO
Segundo o levantamento, mesmo que o custo da hora trabalhada aumente, a participação da mão de obra no custo total das grandes empresas é relativamente pequena — muitas vezes inferior a 10%.
Já setores de serviços que dependem fortemente de trabalhadores, como vigilância e limpeza, podem sentir impacto mais relevante, estimado em 6,5%. Para esses segmentos, o Ipea avalia que seria necessário um período de transição gradual.
IMPACTO SOCIAL: REDUÇÃO DE DESIGUALDADES
O estudo mostra que jornadas acima de 40 horas semanais são mais comuns entre trabalhadores de menor renda e escolaridade.
A mudança para 40 horas pode aproximar esses profissionais das condições de grupos com carreira mais estruturada.
O pesquisador Felipe Pateo destaca que a redução “eleva o valor da hora trabalhada e coloca os profissionais em situação mais equilibrada dentro do mercado”.
PERFIL DOS TRABALHADORES AFETADOS
De acordo com dados da Rais (2023):
- 74% dos celetistas têm jornada de 44 horas;
- 83% dos trabalhadores com até o ensino médio completo cumprem jornadas acima de 40h;
- Entre profissionais com ensino superior, esse índice cai para 53%.
Setores como educação, serviços pessoais, lavanderias, salões de beleza e organizações associativas concentram a maior parte dos vínculos com jornadas estendidas — especialmente entre empresas com até nove empregados.
IMPACTO EM PEQUENAS EMPRESAS
Negócios de menor porte podem enfrentar mais dificuldades para adaptar escalas de trabalho.
Por isso, o Ipea recomenda alternativas como:
- contratação parcial (meio período);
- flexibilização gradual da transição;
- suporte público para adequação das jornadas.
DEBATE AVANÇA NO CONGRESSO
A discussão sobre a redução da jornada entrou na agenda do Congresso neste início de ano.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, declarou que o tema deve ser votado ainda no primeiro semestre.
Duas propostas estão em análise na Casa:
- PEC 8/25, da deputada Erica Hilton;
- PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também incluiu a pauta entre as prioridades do Executivo para 2026.
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