Saldo da poupança sofre nova redução em meio à Selic elevada — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil (Alô Rondônia)
Selic elevada mantém fuga de recursos para investimentos mais rentáveis; saldo total segue pouco acima de R$ 1 trilhão
Porto Velho, Rondônia – A poupança iniciou 2026 com novo recuo no volume aplicado. Dados do Banco Central do Brasil mostram que, em janeiro, os saques superaram os depósitos em R$ 23,5 bilhões, mantendo a tendência negativa registrada nos últimos anos.
SAQUES SUPERAM DEPÓSITOS PELO QUARTO ANO SEGUIDO
Em janeiro, os depósitos somaram R$ 331,2 bilhões, enquanto os saques chegaram a R$ 354,7 bilhões. Mesmo com o crédito de R$ 6,4 bilhões em rendimentos às contas, o resultado geral permaneceu negativo.
O saldo total da caderneta está pouco acima de R$ 1 trilhão.
O movimento não é isolado:
- 2023: retiradas líquidas de R$ 87,8 bilhões
- 2024: retiradas líquidas de R$ 15,5 bilhões
- 2025: saldo negativo de R$ 85,6 bilhões
Especialistas apontam que a poupança perdeu atratividade em relação a investimentos que acompanham os juros altos.
SELIC A 15% PRESSIONA A CADERNETA
Com a taxa básica de juros mantida em 15% ao ano, a poupança fica menos competitiva frente a produtos como CDBs, Tesouro Direto e fundos de renda fixa.
O Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu o ciclo de aumentos em julho do ano passado, após sete elevações consecutivas, mas mantém a Selic em nível considerado restritivo para conter a inflação.
A meta anual da inflação é 3%, e juros altos encarecem crédito, desaceleram consumo e estimulam aplicações mais rentáveis — o que pressiona ainda mais a fuga da poupança.
INFLAÇÃO FECHA 2025 EM 4,26%
A inflação oficial, medida pelo IPCA, encerrou 2025 com alta de 4,26%, influenciada sobretudo pelo aumento das tarifas de transporte por aplicativo e passagens aéreas em dezembro, mês em que o índice subiu 0,33%.
A variação ficou acima do resultado de novembro (0,18%) e foi usada pelo mercado como sinal de que a pressão inflacionária ainda persiste.
BC PREVÊ INÍCIO DO CORTE DE JUROS EM MARÇO
A ata mais recente do Copom indica que o Banco Central deve iniciar o ciclo de queda da Selic em março. No entanto, a autarquia não antecipou o tamanho do corte e reafirmou que os juros permanecerão “em nível restritivo”.
Enquanto a Selic segue alta, a tendência é de continuidade do esvaziamento da poupança, que perdeu competitividade diante de outras aplicações de renda fixa.
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