Sinais de desaceleração aparecem no segundo semestre, segundo relatório da CNI — Foto: José Paulo Lacerda/CNI (Alô Rondônia)
Queda no segundo semestre interrompe avanço observado no início do ano e sinaliza perda de fôlego do setor
Porto Velho, Rondônia – O faturamento da indústria de transformação brasileira ficou praticamente parado em 2025, com variação de apenas 0,1% em relação a 2024, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador encerra um ano marcado por desaceleração econômica e por uma sequência de quedas no segundo semestre.
SEQUÊNCIA DE QUEDAS INVERTE CENÁRIO POSITIVO
Em dezembro, o faturamento recuou 1,2%, registrando a quarta queda em seis meses. O movimento foi decisivo para anular o crescimento acumulado até junho, quando o setor apresentava alta de 5,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A reversão confirma que a indústria perdeu força na segunda metade de 2025, pressionada por crédito caro, demanda enfraquecida e aumento das importações de bens de consumo.
Apesar da estagnação, o resultado sucede um ciclo de forte expansão: em 2024, o faturamento havia crescido 6,2%, a maior alta em 14 anos.
OUTROS INDICADORES TAMBÉM MOSTRAM ARREFECIMENTO
Os dados divulgados pela CNI incluem:
- Horas trabalhadas na produção: queda de 1% em dezembro; leve alta anual de 0,8% sustentada pelo primeiro semestre
- Utilização da Capacidade Instalada (UCI): recuo de 0,4 ponto, chegando a 76,8%; média anual 1,2 ponto abaixo de 2024
- Emprego industrial: queda de 0,2% em dezembro; mas crescimento anual de 1,6%
- Massa salarial real: queda de 0,3% em dezembro; retração anual de 2,1%
- Rendimento real: alta marginal de 0,2% no mês; queda anual de 3,6%
Os números sinalizam que, embora o início de 2025 tenha sido mais aquecido, a indústria encerrou o ano com dificuldade para manter produção, empregos e remuneração.
JUROS ALTOS PUXAM DESEMPENHO PARA BAIXO
Para a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, a estagnação está ligada principalmente aos juros elevados. A Selic, mantida em 15% ao ano, encarece crédito para consumidores e empresas, reduzindo a demanda e a capacidade de investimento do setor produtivo.
Ela também destaca a forte entrada de produtos importados, que tem ocupado espaço no mercado interno e pressionado a competitividade da indústria nacional.
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