INSS cria fila nacional, mas doentes graves seguem sem atendimento prioritário

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INSS cria fila nacional, mas doentes graves seguem sem atendimento prioritário

Segurados com doenças graves seguem esperando meses por perícia mesmo após criação da fila nacional - Foto: Reprodução (Alô Rondônia)

Unificação deveria agilizar análises, mas segurados críticos continuam aguardando perícia

Porto Velho, Rondônia - Mesmo com a criação da fila nacional de análise de benefícios, o INSS ainda não consegue priorizar segurados com doenças graves ou incapacitantes. A mudança, implementada em janeiro, redistribui processos entre servidores de todo o país, mas beneficiários em situação crítica continuam enfrentando longas esperas para perícia médica — muitas vezes sem renda e sem atendimento presencial.

DOENTES GRAVES NA ESPERA

Casos como o de Eduardo da Costa, 53 anos — transplantado, com perda de audição e câncer de pele avançado — ilustram o problema. Ele solicitou benefício por incapacidade em 25 de dezembro, mas sua perícia foi marcada apenas para março, apesar da gravidade do quadro.

A dificuldade de atendimento presencial, somada às falhas no aplicativo Meu INSS, tem ampliado a sensação de abandono entre segurados que dependem do auxílio para sobreviver.

FILA NACIONAL AINDA NÃO PRIORIZA URGÊNCIAS

Com a fila unificada, pedidos passaram a ser analisados pela ordem cronológica de entrada. Segundo o Ministério da Previdência Social, “não é possível distinguir graus de gravidade antes da perícia”, já que a condição médica só é identificada no atendimento.

Especialistas apontam que o problema é estrutural:
  • grande parte dos pedidos já envolve alguma prioridade legal (idosos, pessoas com deficiência, doenças incapacitantes);
  • o sistema não diferencia urgência clínica antes da perícia;
  • a disponibilidade de peritos segue limitada em diversas regiões.
RELATOS DE SEGURADOS: FALHAS, ATRASOS E FRUSTRAÇÃO

A demora tem levado muitos segurados a situações de vulnerabilidade:
  • Arianne Liz, 34 anos, afastada após lesões no joelho, aguarda perícia desde novembro. Enviou laudos, mas o sistema informou “arquivos corrompidos”.
  • Central 135 registra longas esperas e quedas de ligação.
  • Há trabalhadores que, após meses de espera, chegam à perícia já recuperados — o que resulta em negativa e ausência de pagamento retroativo.
ACÚMULO DE PEDIDOS E FALTA DE PESSOAL

Segundo o boletim estatístico da Previdência:
  • há mais de 3 milhões de benefícios em análise ou aguardando perícia — maior fila já registrada;
  • 982 mil estão dentro do prazo legal de 45 dias;
  • 1,7 milhão já ultrapassou esse limite;
  • 357 mil seguem pendentes por falta de documentos.
A região Nordeste concentra mais de 1,08 milhão de requerimentos.

Advogados avaliam que o regime de home office de grande parte dos servidores também contribui para atrasos, especialmente para segurados que têm dificuldades digitais.

AÇÕES DO GOVERNO

O MPS afirma que a redução da fila depende da combinação de medidas como:
  • Atestmed: análise remota por atestado (cerca de 400 mil/mês);
  • Perícia Conectada, via telemedicina (250 mil atendimentos em 2025);
  • mutirões de perícia;
  • contratação de 500 novos peritos médicos.
Apesar disso, especialistas alertam que a fila nacional não aumenta o número de médicos, somente redistribui processos.

JUDICIALIZAÇÃO EM ALTA

A lei 9.784 determina que o INSS deve decidir em até 30 dias, prorrogáveis por mais 30, desde que justificados.

Com atrasos que ultrapassam 60 dias, cresce a judicialização — que também é lenta. Em média:
  • recursos administrativos ultrapassam 460 dias de espera.
Advogados afirmam que longas filas violam o princípio de eficiência do serviço público e empurram segurados para soluções judiciais ainda mais demoradas. 
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