Reaparecimento do sorotipo 3 da dengue eleva risco epidemiológico em Ji-Paraná; eliminação de criadouros segue como principal medida preventiva - Foto: Reprodução (Alô Rondônia)
Vírus não era registrado no país há 17 anos; risco de casos graves aumenta pela falta de imunidade na população
Porto Velho, Rondônia - O sorotipo 3 da dengue (DENV-3), ausente no Brasil por cerca de 17 anos, voltou a circular e já está presente em Ji-Paraná desde 2025. A reintrodução acende um alerta para autoridades e profissionais de saúde, que apontam risco elevado de surtos e aumento de casos graves, já que a maior parte da população não possui imunidade contra esse tipo do vírus.
SOROTIPO 3 RETORNA APÓS QUASE DUAS DÉCADAS
A enfermeira e docente da Afya Ji-Paraná, Márcia Kades, explica que o longo intervalo sem circulação do DENV-3 favorece a expansão da doença.
“Como o sorotipo 3 ficou muitos anos sem circular, a maioria das pessoas não tem proteção contra ele. Isso aumenta o risco do crescimento expressivo de casos, bem como de maior gravidade”, afirma.
A dengue possui quatro sorotipos (1, 2, 3 e 4). Infecções anteriores não impedem novas ocorrências e, segundo estudos epidemiológicos, a segunda infecção tende a ser mais severa — especialmente quando envolve os sorotipos 2 e 3.
QUANDO PROCURAR ATENDIMENTO
Sintomas comuns incluem febre alta, dor no corpo, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas. Entretanto, sinais de gravidade exigem atenção imediata:
- dor abdominal intensa e contínua;
- vômitos persistentes;
- sangramentos;
- tontura ou desmaio;
- cansaço acentuado.
Não existe medicamento específico contra o vírus. O tratamento envolve hidratação adequada e acompanhamento clínico. O diagnóstico pode incluir hemograma e testes específicos para identificar o sorotipo.
PERÍODO DE CHUVAS AUMENTA RISCO EM RONDÔNIA
Com a atuação do fenômeno La Niña, há previsão de aumento de chuvas em Rondônia, criando mais locais de água parada — condição ideal para proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
“Com o período chuvoso, cresce o número de criadouros. Por isso, o risco de aumento dos casos é maior”, alerta Márcia.
MUTIRÕES E MEDIDAS PREVENTIVAS
Ji-Paraná iniciou mutirões de limpeza nos dias 21 e 28 de fevereiro, priorizando bairros com maior incidência. A orientação segue sendo a eliminação de água parada:
- esvaziar recipientes;
- manter caixas d’água fechadas;
- limpar calhas;
- descartar lixo e entulho corretamente.
Sem a redução dos criadouros, explica a docente, não há controle sustentável da doença.
VACINA ESTÁ DISPONÍVEL PARA ADOLESCENTES E PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Desde 2023, o Ministério da Saúde disponibiliza a vacina contra dengue para adolescentes de 10 a 14 anos nas Unidades Básicas de Saúde. A cobertura ainda é considerada baixa.
A estratégia foi ampliada para incluir profissionais de saúde, e há previsão de expansão para pessoas de 15 a 59 anos no segundo semestre.
“A vacina ajuda a reduzir casos graves. É importante que o público indicado procure a UBS”, reforça Márcia.
ARBOVIROSES TAMBÉM CRESCEM NO MUNICÍPIO
Além do retorno do DENV-3, Ji-Paraná registrou aumento de casos de chikungunya em 2025. A combinação entre novo sorotipo, período chuvoso e crescimento das arboviroses reforça a necessidade de mobilização coletiva para evitar uma escalada de casos graves.
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