Entidades pedem veto à criação de licença indenizatória no Legislativo

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Entidades pedem veto à criação de licença indenizatória no Legislativo

Entidades afirmam que benefício pode gerar gastos extra-teto no serviço público — Foto: Agência Brasil (Alô Rondônia)

Organizações alertam para “efeito cascata” e risco de aumento de gastos públicos com benefício a servidores

Porto Velho, Rondônia – Um conjunto de dez organizações da sociedade civil enviou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um pedido de veto integral aos projetos de lei aprovados pelo Congresso Nacional que criam a chamada licença compensatória para servidores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Segundo as entidades, o novo benefício pode gerar pagamentos acima do teto constitucional e provocar um efeito cascata nas administrações públicas.

O QUE PREVÊ O PROJETO DE LEI

A proposta aprovada cria um mecanismo que concede dias de licença proporcional ao tempo trabalhado:
  • Câmara dos Deputados: até 1 dia de folga a cada 3 dias trabalhados (máximo de 10 dias por mês)
  • Senado Federal: variação entre 1 dia a cada 10 dias e 1 a cada 3 dias de exercício
O ponto mais controverso é a possibilidade de converter os dias não utilizados em pagamento — sem incidência de imposto de renda e sem contribuição previdenciária.

Para as entidades civis, isso equipara o benefício a um “penduricalho” capaz de inflar remunerações e criar novas distorções no serviço público.

DECISÃO DO STF AUMENTA PRESSÃO POR VETO

O debate ganhou força após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que suspendeu o pagamento de verbas indenizatórias sem previsão expressa em lei.
Para as organizações, sancionar o projeto neste momento poderia esvaziar os efeitos da determinação judicial e reabrir espaço para práticas eliminadas há anos, como a antiga licença-prêmio.

As entidades argumentam que o veto é necessário para impedir o retorno de benefícios considerados excessivos e desconectados da realidade fiscal brasileira.

GASTO NO JUDICIÁRIO É CITADO COMO EXEMPLO DE IMPACTO

Segundo levantamento feito por Transparência Brasil e República.org, órgãos do Judiciário pagaram R$ 1,2 bilhão com licença compensatória em 2024, envolvendo 10,7 mil magistrados.
O dado é usado como alerta: caso o Legislativo também adote o mecanismo, o modelo poderia se expandir para outras esferas, ampliando ainda mais a despesa de pessoal.

ENTIDADES ENVOLVIDAS NO PEDIDO DE VETO

A coalizão que assinou o documento enviado ao presidente reúne:
  • República.org
  • Transparência Brasil
  • Associação Fiquem Sabendo
  • Centro de Liderança Pública
  • Livres
  • Movimento Brasil Competitivo
  • Movimento Orçamento Bem Gasto
  • Movimento Pessoas à Frente
  • Plataforma Justa
  • Transparência Internacional – Brasil
Os grupos defendem que a aprovação da licença indenizatória representaria retrocesso institucional em um momento de restrições orçamentárias e de necessidade de controle de gastos públicos.
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