Pressão sobre o STF cresce enquanto aliados tentam garantir que o ex-presidente deixe a Papudinha e retorne à prisão domiciliar
Porto Velho, Rondônia – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chega ao marco de seis meses detido nesta quarta-feira (4), em meio a um cenário de desgaste político, queda de influência e disputa interna por protagonismo dentro do bolsonarismo. A defesa intensifica o movimento para que ele volte à prisão domiciliar, benefício perdido após violação da tornozeleira eletrônica em novembro de 2025.
TENSÃO ENTRE BOLSONARISMO E STF MARCA O PROCESSO
A decisão sobre o retorno ao regime domiciliar está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a prisão em agosto de 2025, após Bolsonaro ser flagrado em vídeo descumprindo a proibição de usar redes sociais.
Nos bastidores, aliados afirmam que a relação tensa entre o ex-presidente e o Supremo atrasa a análise do pedido. Entretanto, ministros da Corte passaram a considerar sua idade (70 anos) e o quadro de saúde debilitado — marcado por tonturas, crises de soluço e cirurgias recentes — o que renovou o otimismo dentro do PL.
A defesa sustenta que existe jurisprudência favorável ao regime domiciliar em casos semelhantes envolvendo réus idosos ou em condição clínica sensível.
LAUDO MÉDICO É A PRINCIPAL APOSTA PARA MUDAR O RUMO
Um laudo solicitado por Moraes deve ser apresentado nesta semana e é apontado por interlocutores como o elemento decisivo para o futuro do ex-presidente. Bolsonaro foi avaliado por médicos no dia 20 de janeiro, e o documento irá esclarecer se ele pode continuar recolhido no batalhão da Polícia Militar, onde cumpre pena.
Outro fator em debate é a votação do veto ao PL da Dosimetria, que poderia reduzir sua pena e facilitar a progressão de regime. No entanto, não há previsão de análise pelo Congresso.
BOLSONARO ESCOLHE FLÁVIO COMO SUCESSOR POLÍTICO
Nos últimos meses, Bolsonaro consolidou internamente a decisão de apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu nome para a sucessão presidencial de 2026. A escolha se firmou durante seu afastamento das movimentações políticas e diante da preocupação do clã em manter o capital eleitoral dentro da própria família.
A movimentação esvazia articulações que tentavam projetar Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) ou a própria Michelle Bolsonaro (PL) para disputar a Presidência.
RESTRIÇÕES DE VISITA E IMPACTO NA ARTICULAÇÃO
Deputados e aliados afirmam que a limitação de visitas e a dificuldade de comunicação política provocam prejuízo às articulações do movimento bolsonarista. Sem presença ativa, Bolsonaro não consegue exercer o papel de liderança direta que caracterizou sua atuação desde 2018.
Ainda assim, parlamentares afirmam que a prisão fortalece a narrativa de perseguição e pode ampliar apoio entre setores mais ideológicos.
ROTINA NA PAPUDINHA E QUADRO DE SAÚDE PREOCUPANTE
Desde que deixou a Superintendência da Polícia Federal, Bolsonaro está detido em uma sala especial da Papudinha, com cerca de 65 m². De acordo com relatórios enviados ao STF, sua rotina inclui atendimentos médicos diários, fisioterapia e visitas restritas de familiares e advogados.
Relatos de visitantes indicam que ele tem apresentado tonturas, perda de apetite e fragilidade emocional. A medicação para conter crises de soluço tem provocado efeitos colaterais severos, segundo pessoas próximas.
O QUE DIZEM OS ALIADOS
Parlamentares da oposição acusam “injustiça” e afirmam que a manutenção da prisão reforça o desgaste institucional.
Para o deputado Delegado Caveira (PL-PA), “Bolsonaro está preso numa situação que só fortalece sua base e expõe abusos do Judiciário”.
Já líderes críticos ao governo destacam que a tramitação judicial segue curso normal e que o STF age dentro dos limites constitucionais.
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