Cancelamento expõe desgaste com o clã Bolsonaro e resistência a cobranças por alinhamento explícito
Porto Velho, Rondônia – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), recuou da visita que faria ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira (22), na Papudinha, presídio da Polícia Federal em Brasília. Embora o governo paulista tenha alegado “compromissos em São Paulo”, interlocutores admitem que a decisão foi influenciada por pressões políticas e pelo clima de desconforto com o núcleo bolsonarista.
A visita seria a primeira desde que Bolsonaro anunciou o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu nome para a disputa presidencial de 2026 — movimento que reorganizou o tabuleiro político da direita e aumentou a expectativa sobre o posicionamento de Tarcísio.
BASTIDORES APONTAM TENSÃO COM O CLÃ BOLSONARO
Nos bastidores, a leitura é de que a viagem abriria espaço para cobranças diretas por parte de Bolsonaro e aliados, que esperavam um gesto explícito de apoio de Tarcísio ao projeto presidencial de Flávio. A hipótese de que a conversa evoluísse para um pedido formal de alinhamento eleitoral teria aumentado o desconforto do governador.
Aliados afirmam que Tarcísio, embora sempre tenha reconhecido Bolsonaro como padrinho político, não quer ser pressionado a declarar apoio antes de definir seu próprio caminho para 2026. Ele tem reiterado internamente que só anunciará seu posicionamento definitivo após abril.
RELAÇÃO EM ATRITO
O ambiente também foi afetado por críticas recentes de figuras próximas ao ex-presidente, que passaram a exigir firmeza de Tarcísio diante do impasse. Interlocutores relatam que esse desgaste foi determinante para evitar um encontro que poderia aprofundar fissuras na direita.
A leitura no entorno do governador é de que uma visita neste momento seria interpretada como sinalização eleitoral — algo que ele tem evitado deliberadamente.
IMPACTO NO CENÁRIO DE 2026
Tarcísio segue como uma das principais lideranças do campo conservador, tanto como possível candidato à Presidência quanto como cabo eleitoral decisivo. Sua decisão de adiar o encontro com Bolsonaro adia também qualquer gesto simbólico de apoio público ao senador Flávio Bolsonaro.
O Palácio dos Bandeirantes informou apenas que solicitará uma nova data ao Supremo Tribunal Federal para a visita, sem previsão de quando o pedido será protocolado.
A interlocução política deve continuar em ritmo discreto nos próximos meses, enquanto Tarcísio equilibra a relação com Bolsonaro e administra pressões dentro e fora de seu partido.
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