Lula pode perder até 20 ministros para a disputa eleitoral, e clima de incerteza toma conta da Esplanada

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Lula pode perder até 20 ministros para a disputa eleitoral, e clima de incerteza toma conta da Esplanada

Presidente Lula durante reunião ministerial na Granja do Torto, em dezembro de 2025 - Foto: Lucio Tavora / Xinhua (Alô Rondônia)

Saídas devem ocorrer até abril; cargos estratégicos podem ficar esvaziados durante a campanha

Porto Velho, Rondônia – A corrida eleitoral de 2026 deve provocar uma das maiores reestruturações no governo Lula (PT) desde o início do mandato. De acordo com articulações já confirmadas e outras em debate interno, cerca de 20 ministros devem deixar seus cargos até abril para disputar vagas no Congresso, governos estaduais ou apoiar palanques regionais. A movimentação afeta tanto áreas técnicas quanto setores estratégicos da articulação política.

NÚCLEO DURO DO GOVERNO PODE SER ESVAZIADO

Seguindo orientação direta do presidente, ministros que são deputados ou senadores licenciados devem se descompatibilizar das pastas para garantir candidaturas e, ao mesmo tempo, fortalecer o projeto nacional do PT nas eleições. Entre os principais nomes está Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, que aceitou o pedido de Lula para concorrer ao Senado pelo Paraná.

A saída de Gleisi deixa a articulação política em alerta, já que ela é responsável por negociar votações e manter o diálogo com o Congresso. O comando da pasta pode passar ao secretário-executivo Marcelo Costa, diplomata de carreira — o que gera resistência interna por falta de perfil político.

Outro nome central é Rui Costa, ministro da Casa Civil, que deve deixar o cargo para disputar o Senado pela Bahia, ou até mesmo o governo estadual, segundo interlocutores.

PALÁCIO DO PLANALTO TERÁ DESFALQUES

Na equipe interna da Presidência, apenas Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) deve permanecer na função até o fim do mandato. Já Sidônio Palmeira, responsável pela comunicação política e publicitária, deve deixar o cargo em junho para assumir novamente a campanha de Lula.

ÁREAS TEMÁTICAS TAMBÉM TÊM SAÍDAS DEFINIDAS

Fora do Palácio, 12 ministros já sinalizaram intenção de disputar as eleições. Entre eles:

  • Anielle Franco (Igualdade Racial) – candidata a deputada federal pelo RJ

  • Sonia Guajajara (Povos Indígenas) – busca reeleição pela Câmara em SP

  • Carlos Fávaro (Agricultura) – candidato ao Senado por MT

  • Jader Filho (Cidades) – candidato à Câmara pelo Pará

  • Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos)

  • André de Paula (Pesca)

  • Waldez Góes (Desenvolvimento Regional)**

  • Renan Filho (Transportes) – candidato ao Governo de Alagoas

Já o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, desistiu da candidatura após pedido de Lula.

SÃO PAULO TERÁ DISPUTA ACIRRADA ENTRE MINISTROS

O estado mais populoso do país concentra as maiores incertezas dentro da Esplanada. Simone Tebet (Planejamento) deve se filiar ao PSB e concorrer ao Senado por SP — e chegou a ser cogitada para o Governo do Estado, caso Haddad recuse disputar novamente.

Também surge a possibilidade de Marina Silva (Meio Ambiente) concorrer ao Senado. Enquanto isso, Geraldo Alckmin, apesar de especulações, deve permanecer como vice de Lula na chapa.

OUTROS NOMES PODEM DEIXAR O GOVERNO

Também aguardam definição presidencial:

  • Wolney Queiroz (Previdência)

  • Márcio França (Empreendedorismo) – quer disputar o governo paulista

  • Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário)

  • Luciana Santos (Ciência e Tecnologia)

Ministros de perfil mais técnico devem permanecer, como Mauro Vieira, Margareth Menezes, José Múcio, Esther Dweck, Alexandre Silveira, entre outros.

DESAFIO PARA O GOVERNO

Com as descompatibilizações previstas até abril, Lula pode enfrentar a campanha eleitoral com boa parte de sua equipe renovada — e cargos estratégicos ocupados temporariamente por secretários-executivos. A mudança exige reorganização interna e pode influenciar o ritmo das entregas do governo ao longo de 2026.

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