Mobilização da Sepat ajuda a reforçar estoques da Fhemeron, mas cenário recorrente de baixa nas doações expõe dependência de ações pontuais e voluntariado institucional
Porto Velho, Rondônia – Servidores da Secretaria de Estado de Patrimônio e Regularização Fundiária participaram, na quinta-feira (8), de uma ação solidária de doação de sangue em Porto Velho. A iniciativa ocorreu na Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia e integra o conjunto de ações de responsabilidade social incentivadas pelo governo de Rondônia.
Embora o gesto seja relevante e necessário, o episódio também evidencia um problema estrutural: a queda recorrente nos estoques de sangue em períodos previsíveis, como férias e feriados, ainda depende fortemente de mobilizações pontuais para ser enfrentada.
AÇÃO FACILITADA, PROBLEMA RECORRENTE
Para estimular a participação, a Sepat disponibilizou transporte aos servidores interessados, facilitando o deslocamento até a unidade da Fhemeron. A fundação enfrenta redução nos estoques em todo o estado, situação agravada nesta época do ano pelo afastamento de doadores regulares.
A iniciativa reforça valores de cidadania e solidariedade, mas especialistas em saúde pública alertam que ações isoladas não substituem políticas permanentes de incentivo à doação, com campanhas contínuas, metas e ampliação do acesso aos hemocentros.
DISCURSO OFICIAL E REALIDADE DOS ESTOQUES
O governador Marcos Rocha destacou que a doação regular é a única forma de manter os estoques abastecidos. “Doar sangue é um gesto de amor ao próximo. Um único doador pode salvar até quatro vidas”, afirmou.
A fala é consensual, mas a realidade mostra que a conscientização ainda não se traduz em hábito regular da população. Em períodos críticos, como festas de fim de ano, a demanda por sangue aumenta, enquanto as doações caem — um desequilíbrio conhecido, mas ainda pouco enfrentado de forma estruturada.
ALERTA DA GESTÃO E DEMANDA CRESCENTE
O secretário da Sepat, David Inácio, destacou que o início e o fim do ano registram queda significativa nas doações, ao mesmo tempo em que aumentam acidentes e atendimentos de urgência.
O alerta reforça a necessidade de engajamento mais amplo da sociedade, para além do funcionalismo público, evitando que o sistema dependa exclusivamente de campanhas emergenciais para manter o atendimento hospitalar.
COMO DOAR SANGUE
Para ser doador, é necessário:
- Estar em boas condições de saúde
- Pesar acima de 50 kg
- Ter entre 16 e 69 anos (menores de 18 acompanhados dos responsáveis)
- Estar descansado e alimentado
- Apresentar documento oficial com foto
Cada doação pode salvar até quatro vidas, reforçando a importância do gesto contínuo, e não apenas eventual.
SOLIDARIEDADE QUE PRECISA VIRAR POLÍTICA
A mobilização dos servidores é positiva e merece reconhecimento. No entanto, o desafio permanece em transformar ações solidárias em política pública permanente, com campanhas regulares, educação em saúde e ampliação da base de doadores fidelizados, reduzindo a vulnerabilidade do sistema em períodos críticos.
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