Sistema free flow promete fluidez, mas cobrança automática e tarifas elevadas geram preocupação entre motoristas e moradores do estado
Porto Velho, Rondônia – A BR-364, principal corredor logístico e rodoviário de Rondônia, entra oficialmente na era do pedágio eletrônico. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a implantação do sistema de livre passagem, conhecido como free flow, que elimina cancelas e filas, mas traz um impacto direto e inevitável: mais despesas para quem depende diariamente da rodovia.
A cobrança poderá começar dez dias após a publicação da deliberação no Diário Oficial da União, o que coloca janeiro de 2026 como marco para o início de um novo custo fixo na rotina de milhares de rondonienses — especialmente trabalhadores, caminhoneiros, produtores rurais e pequenos comerciantes.
TECNOLOGIA SEM CANCELA, MAS COM CONTA ALTA
No modelo free flow, o motorista não para. A passagem é registrada automaticamente por pórticos instalados ao longo da rodovia, e a cobrança ocorre de forma digital. Apesar do discurso oficial de modernização e fluidez no tráfego, o sistema não elimina o pedágio — apenas torna a cobrança invisível no momento da passagem, mas muito visível no orçamento mensal.
Serão sete pontos de cobrança ao longo da BR-364, nos municípios de Candeias do Jamari, Cujubim, Ariquemes, Ouro Preto do Oeste, Presidente Médici e dois trechos em Pimenta Bueno. Para quem cruza mais de um desses pontos, o custo se acumula rapidamente.
TARIFAS REAJUSTADAS E PESO NO ORÇAMENTO
A Tarifa Básica de Pedágio (TBP) foi reajustada em 9,55%, com base no IPCA acumulado. Para veículos de passeio, os valores variam entre R$ 5,40 e R$ 37,00 por trecho, o que pode transformar deslocamentos rotineiros em um gasto significativo ao fim do mês.
Na prática, quem trabalha viajando entre cidades ou depende da rodovia para acessar serviços essenciais vai sentir o impacto direto no bolso. O argumento de que motocicletas e veículos oficiais são isentos pouco alivia a realidade de quem sustenta a economia do estado sobre quatro rodas.
COBRANÇA AUTOMÁTICA E RISCO DE DESINFORMAÇÃO
O pagamento deverá ser feito via site, aplicativo da concessionária ou totens físicos, com prazo de até 30 dias após a passagem. Caso o usuário não pague dentro do prazo, poderá sofrer sanções administrativas.
Embora a ANTT afirme que o sistema é seguro e auditável, cresce a preocupação com falhas de leitura, cobranças indevidas e dificuldades de acesso digital, especialmente para idosos, moradores da zona rural e pessoas com pouco acesso à internet.
São sete pontos de cobrança na BR-364/RO: Candeias do Jamari, Cujubim, Ariquemes, Ouro Preto do Oeste, Presidente Médici e Pimenta Bueno (em dois trechos)
FLUIDEZ PARA QUEM, CUSTO PARA QUEM?
Enquanto a ANTT e a concessionária destacam ganhos operacionais e redução de acidentes, a pergunta que ecoa entre motoristas é simples: quem realmente paga essa modernização? A resposta, mais uma vez, recai sobre o cidadão comum.
Em um estado onde o transporte rodoviário é essencial para trabalho, saúde e abastecimento, a implantação do pedágio eletrônico representa mais um custo permanente em uma economia já pressionada. A promessa de eficiência não elimina o fato de que circular em Rondônia ficará mais caro.
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