Inpe confirma queda do desmatamento na maioria dos biomas em 2024, mas alerta permanece

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Inpe confirma queda do desmatamento na maioria dos biomas em 2024, mas alerta permanece

Área preservada da Mata Atlântica, bioma que registrou a maior redução percentual de desmatamento em 2024 - Foto: Gustavo Pedro/Divulgação (Alô Rondônia)

Redução foi mais expressiva na Mata Atlântica, com quase 38%, porém Caatinga e Pantanal seguem na contramão e expõem limites das políticas ambientais

Porto Velho, Rondônia – Dados consolidados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais confirmam que o desmatamento diminuiu na maioria dos biomas brasileiros em 2024, na comparação com 2023. O levantamento é do sistema Prodes, referência nacional no monitoramento da supressão de vegetação nativa por imagens de satélite.

Os números são positivos, mas estão longe de permitir comemoração plena. A queda não foi homogênea e dois biomas estratégicos – Caatinga e Pantanal – registraram aumento da devastação, revelando que o problema ambiental no Brasil segue desigual, regionalizado e estrutural.

ONDE O DESMATAMENTO CAIU

Entre 2023 e 2024, a redução da supressão de vegetação nativa foi registrada em cinco biomas:
  • Amazônia: −28,09%
  • Área não florestal na Amazônia: −5,27%
  • Cerrado: −25,76%
  • Mata Atlântica: −37,89%
  • Pampa: −20,08%
A maior queda ocorreu na Mata Atlântica, bioma historicamente mais devastado do país. O dado é relevante, mas especialistas lembram que percentuais elevados partem de uma base já extremamente reduzida, o que relativiza o impacto real da recuperação ambiental.

ONDE A DESTRUIÇÃO AVANÇOU

Na contramão da tendência nacional, dois biomas apresentaram crescimento no desmatamento:
  • Caatinga: +9,93%
  • Pantanal: +16,5%
O avanço no Pantanal preocupa de forma especial, pois ocorre após anos de queimadas severas e perda acelerada de biodiversidade. Ambientalistas alertam que qualquer aumento nesse bioma representa risco direto a um ecossistema já fragilizado, com impactos que vão além das fronteiras regionais.

O QUE OS DADOS REALMENTE MEDAM

Segundo nota técnica do Inpe, o Prodes considera exclusivamente a remoção da cobertura de vegetação nativa, independentemente do uso futuro da área. As análises combinam identificação automática por índices de vegetação e interpretação visual especializada, o que confere robustez técnica ao levantamento.

Ainda assim, os dados revelam apenas parte do problema. Eles não capturam, por exemplo, a degradação progressiva causada por exploração seletiva, queimadas recorrentes ou pressão indireta do avanço agropecuário.

POLÍTICAS FUNCIONAM, MAS NÃO BASTAM

Para a vice-coordenadora do programa BiomasBR do Inpe, Silvana Amaral, a redução do desmatamento na maioria dos biomas confirma a importância de políticas públicas de comando e controle, além de acordos e termos firmados com setores produtivos.

A avaliação é técnica, mas o próprio cenário revela um limite claro: onde o Estado fiscaliza e regula, o desmatamento recua; onde o controle falha, ele avança. Ou seja, os dados mostram que política ambiental funciona — quando aplicada de forma contínua e regionalmente ajustada.

MENOS DESMATAMENTO NÃO É SINÔNIMO DE SOLUÇÃO

A consolidação dos dados do Prodes é fundamental para análise de tendências de médio e longo prazo e para orientar políticas públicas. No entanto, especialistas alertam que redução percentual não significa vitória ambiental.

Enquanto houver biomas com crescimento da devastação, fiscalização desigual e pressão econômica sobre áreas frágeis, o Brasil seguirá convivendo com um paradoxo: avança nos números, mas permanece vulnerável na prática.
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