Federações se dividem sobre continuidade da greve na Petrobras; impasse expõe racha no movimento

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Federações se dividem sobre continuidade da greve na Petrobras; impasse expõe racha no movimento

Edifício-sede da Petrobras, no Rio de Janeiro; greve chega ao nono dia em meio a divergências entre as duas principais federações — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil | Alô Rondônia

Porto Velho, Rondônia - A greve dos petroleiros entrou no nono dia sem consenso entre as entidades sindicais. Enquanto a Federação Única dos Petroleiros (FUP) orienta suspender a paralisação após aceitar a contraproposta da Petrobras, a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) considera os avanços insuficientes e defende manter braços cruzados. A divergência interna expõe um movimento fragmentado e sem direção unificada.

FUP DEFENDE ENCERRAMENTO DA GREVE APÓS CONTRAPROPOSTA

A FUP, que representa cerca de 105 mil trabalhadores e reúne 14 sindicatos, aprovou o indicativo de suspensão da greve ainda na noite de segunda-feira (22). A entidade afirma que houve avanços em pontos centrais do Acordo Coletivo de Trabalho, incluindo:
  • abono de 50% dos dias parados;
  • garantia de não punição aos grevistas;
  • redução de custos com transporte;
  • reajustes nos vales alimentação e refeição;
  • criação de auxílio alimentação mensal;
  • melhorias no plano de saúde.
Mesmo com a orientação pelo fim do movimento, a FUP informou que as unidades continuarão paralisadas até que cada sindicato realize sua assembleia — o que significa que a paralisação pode persistir por mais dias, dependendo da base.

Na Revap, em São José dos Campos (SP), 89% dos trabalhadores já votaram pela suspensão.

FNP REJEITA PROPOSTA E DIZ QUE GREVE CONTINUA

Enquanto a FUP fala em avanços, a FNP — que representa 26 mil trabalhadores de quatro sindicatos — considera as concessões insuficientes.
Em plenária realizada nesta terça-feira (23), a entidade decidiu seguir com a paralisação.

Segundo o secretário-geral da federação, Eduardo Henrique Soares da Costa, a categoria não deve aceitar um acordo sem resolver pendências históricas, especialmente envolvendo o fundo de pensão Petros.

“Seguimos rejeitando, e a greve continua forte”, disse o dirigente.

A FNP tem reforçado sua mobilização nas redes sociais e lembra que assembleias de base têm autonomia, mesmo quando discordam das direções sindicais.

O QUE LEVOU À GREVE

A paralisação atinge unidades estratégicas da Petrobras, incluindo:
  • 9 refinarias;
  • 28 plataformas marítimas;
  • 16 terminais operacionais;
  • 4 termelétricas;
  • 2 usinas de biodiesel;
  • 10 unidades terrestres.
Entre as reivindicações estão:
  • melhoria no plano de cargos e salários;
  • solução para os déficits dos PEDs da Petros;
  • defesa do projeto “Brasil Soberano”, que propõe fortalecimento da Petrobras como estatal.
A proposta da Petrobras sobre o Petros indica um processo de até 8 meses para definição de solução — prazo considerado excessivo pela FNP.

PETROBRAS DIZ QUE HOUVE AVANÇOS E AFIRMA QUE PRODUÇÃO NÃO FOI AFETADA

Em nota, a Petrobras classificou sua contraproposta como “ajustada” e afirmou que contempla pleitos relevantes. A empresa declarou que a greve não impactou a produção e que o abastecimento segue normalizado, graças às equipes de contingência acionadas nos últimos dias.

A estatal afirma ainda que respeita o direito de greve e que está aberta ao diálogo — postura que tenta demonstrar normalidade diante da disputa entre as duas federações.

IMPASSE EXPÕE FRAGMENTAÇÃO DO MOVIMENTO GREVISTA

A divisão entre FUP e FNP enfraquece a coordenação nacional e cria incerteza sobre o desfecho da greve. Mesmo com parte da categoria se mobilizando para encerrar o movimento, outra parcela insiste na continuidade, dificultando negociações, testes operacionais e rotinas internas da Petrobras.

Na prática, a greve termina ou continua dependendo da adesão nas bases, e não das direções nacionais — cenário que deve se arrastar pelos próximos dias.
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