Whey protein é ultraprocessado: o que isso significa para sua saúde?

 

Whey Protein — Foto: Freepik/Divulgação/G1



Porto Velho, Rondônia - Apesar de amplamente consumido por quem busca hipertrofia muscular ou praticidade na dieta, o whey protein é classificado como um alimento ultraprocessado. O dado pode surpreender muitos consumidores, especialmente aqueles que associam o suplemento a um estilo de vida saudável. No entanto, especialistas alertam: o fato de ser ultraprocessado não invalida seus benefícios nutricionais, mas exige atenção ao modo e frequência de uso.

De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, alimentos ultraprocessados são formulações industriais produzidas majoritariamente com substâncias derivadas de alimentos ou sintetizadas em laboratório, como corantes, emulsificantes e adoçantes artificiais. O whey protein, embora derivado do soro do leite, passa por diversos estágios de modificação industrial, o que descaracteriza sua matriz alimentar original.

Segundo Michele Trindade, nutricionista e vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE), o whey passa por processos como filtração, secagem, adição de emulsificantes, adoçantes e flavorizantes — características típicas de um ultraprocessado. "Essas etapas tornam o produto eficiente em termos de concentração proteica, mas também o afastam de um alimento natural", explica.

Ainda assim, especialistas destacam que nem todo ultraprocessado é igual. A classificação, que agrupa alimentos com base no grau de processamento, inclui tanto suplementos como o whey quanto produtos como bolachas recheadas, refrigerantes e salgadinhos. A grande diferença está no propósito e composição nutricional.

"O whey protein é utilizado para fins nutricionais específicos, como suprir a necessidade de proteínas em dietas de pessoas fisicamente ativas ou com restrições alimentares", afirma a nutricionista Lívia Horácio, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Por outro lado, os biscoitos, refrigerantes e produtos semelhantes contêm altas concentrações de açúcares, gorduras saturadas, sódio e calorias vazias — características que aumentam o risco de doenças crônicas como obesidade e diabetes tipo 2.

Conforme destaca Trindade, os riscos relacionados ao whey protein estão mais associados ao seu consumo excessivo ou à substituição de refeições completas por suplementos. “Apesar de conter proteína de alto valor biológico, ele não oferece fibras, vitaminas e minerais presentes em fontes proteicas naturais como ovos, carnes ou leguminosas”, afirma.

Outro ponto de atenção é o consumo constante de aditivos. A maioria dos produtos à base de whey contém adoçantes artificiais, corantes e estabilizantes. Embora aprovados por órgãos reguladores, o uso contínuo e elevado dessas substâncias ainda é alvo de pesquisas.

Além disso, o whey tende a provocar menor saciedade se comparado a refeições sólidas, o que pode levar ao consumo exagerado de calorias ao longo do dia. Para a nutricionista Isabela Gouveia, mestre em Ciência de Alimentos pela USP, a troca recorrente de refeições por shakes pode prejudicar o equilíbrio nutricional. “Dietas saudáveis são construídas com base em alimentos in natura ou minimamente processados, e não em produtos industrializados”, alerta.

Por fim, os profissionais reforçam que o whey protein pode, sim, fazer parte de uma alimentação equilibrada — desde que utilizado como complemento, e não como base da dieta. “O mais importante é considerar o padrão alimentar como um todo. Suplementos têm função, mas não substituem a complexidade de uma refeição completa”, conclui Trindade.

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