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Roubos caem e golpes virtuais batem recorde no Brasil em 2024, aponta Anuário de Segurança Pública

Foto: G1/Divulgação

Porto Velho, Rondônia - O Brasil registrou em 2024 o menor número de roubos da série histórica iniciada em 2011, ao mesmo tempo em que os crimes de estelionato atingiram o maior patamar já registrado, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento mostra uma mudança significativa na dinâmica criminal no país: enquanto os crimes patrimoniais tradicionais, como roubos e furtos, apresentaram queda, os golpes — especialmente os virtuais — seguem em crescimento acelerado.

Segundo os dados compilados, o país contabilizou mais de 917 mil casos de roubos e furtos de celulares, veículos, cargas e outros bens. Em contrapartida, os crimes de estelionato chegaram à marca de 2.166.552 registros, um aumento de 8% em relação ao ano anterior. Nos últimos seis anos, a alta acumulada desses crimes chega a 408%.

Quatro golpes por minuto

Os números revelam que o Brasil registrou, em média, quatro golpes por minuto ao longo de 2024. Os estelionatos por meios eletrônicos tiveram crescimento de 17% no ano e de 133% nos últimos três anos — passando de 120.470 casos em 2021 para 281.206 em 2024.

A tendência ganhou força especialmente durante o período da pandemia de Covid-19, a partir de 2020, quando grande parte das atividades migraram para o ambiente digital. Desde então, o crime virtual se consolidou como a nova principal frente de atuação de grupos criminosos.

Queda nos crimes patrimoniais tradicionais

Ao mesmo tempo, todos os principais indicadores de crimes patrimoniais "convencionais" registraram queda. Os números mais recentes apontam:

Roubo e furto de veículos: -7,5%
Roubo e furto de celulares: -13%
Roubos a estabelecimentos comerciais: -24%
Roubos a residências: -19%
Roubos a transeuntes: -23%
Receptação: -7%
Roubo a instituições financeiras: -17%
Roubo de carga: -14%
Roubos em geral: -15%

Em comparação com 2018, o total de roubos caiu pela metade, passando de 1.506.151 para 745.333 casos registrados.

Especialistas apontam mudança de cenário

Para o diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, os dados refletem uma profunda transformação no modo de operação da criminalidade no país. “Já são cinco anos de tendência, o que consolida um movimento que, por si só, justificaria a reflexão sobre a reorganização do sistema de segurança pública no Brasil”, afirmou.

Segundo o especialista, a pandemia de Covid-19 foi o marco dessa reconfiguração. A partir de 2020, os crimes migraram em grande parte para o ambiente digital, alterando o foco das estratégias criminosas. “Essa transformação reconfigura por completo a governança criminal — a forma como o crime se organiza — e, no caso aqui analisado, influencia a inversão entre roubos e estelionatos, além de transformar a maneira como o crime opera para subtrair bens e recursos de suas vítimas”, destacou Lima.

Impactos e desafios

O crescimento dos crimes virtuais impõe novos desafios à segurança pública brasileira. Enquanto o policiamento ostensivo e o combate a crimes nas ruas demonstram resultados positivos, a repressão ao estelionato, especialmente no ambiente digital, exige medidas mais sofisticadas, com reforço na cibersegurança, capacitação de equipes especializadas e integração entre esferas estaduais e federais.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado anualmente desde 2011 e reúne dados oficiais das secretarias de segurança dos 26 estados e do Distrito Federal. Seu objetivo é oferecer um panorama preciso da violência no país e subsidiar políticas públicas mais eficazes para o enfrentamento da criminalidade.

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