Sucesso do ataque na última temporada dificultou a missão de Carlo Ancelotti, que ainda terá o reforço de Endrick

Porto Velho, Rondônia - Foi um anúncio que não pegou ninguém de surpresa: o Real Madrid oficializou Kylian Mbappé como reforço nesta segunda-feira. O atacante assinou por cinco temporadas (até junho de 2029) com o gigante espanhol para fazer parte de um ataque estrelado que já conta com Vinícius Júnior, Rodrygo e Jude Bellingham. E é exatamente aí que reside a única incerteza em torno de sua chegada: como encaixá-lo nesta engrenagem?

Fosse há um ano, este quebra-cabeças seria mais fácil de ser montado. Agora, com Bellingham já entrosado e Vini Jr tendo feito sua melhor temporada na carreira (e favorito à Bola de Ouro), a situação é diferente. Apesar de todo o esforço feito pelo Real, o francês chega com o ataque merengue em alta.

Na temporada de 129 gols e das conquistas dos títulos espanhol e europeu, o técnico Carlo Ancelotti fez Vini formar dupla de ataque com Rodrygo, que caia mais pela direita. Bellingham atuou mais por trás deles, formando uma espécie de losango com Camavinga / Tchouaméni, Valverde e Toni Kroos, que já anunciou aposentadoria após a Eurocopa.

O problema maior envolve Mbappé e Vini, que se igualam até no número 7 da camisa. Ambos se sentem melhor pela esquerda. Mesmo quando jogam mais centralizados, tendem a cair para este lado.

Na última temporada, o então camisa 7 do PSG atuou centralizado em 27 partidas pelo PSG e mais 18 pela esquerda. Já o brasileiro do Real apareceu mais aberto em apenas seis ocasiões, contra outras 33 entre os zagueiros rivais.

— São todos jogadores que não têm uma posição definida. Você pode colocar duas linhas de quatro, por exemplo. E aí deixar o Bellingham com o Vini por dentro, o Rodrigo pela direita e o Mbappé pela esquerda. Ou o Vini pela esquerda e o Mbappé por dentro —analisa Renato Rodrigues, comentarista dos canais ESPN, que aposta no talento de Ancelotti.

— São todos jogadores muito versáteis. O próprio Vinícius, nesta temporada, jogou por dentro em vários jogos. Acho que isso dá um leque maior de opções. E tem também o fato de ser o Ancelotti, a capacidade dele de convencimento, de criar uma estrutura onde deixa todo mundo confortável.

Uma opção óbvia para Ancelotti seria justamente retomar o 4-3-3 dos tempos em que ainda tinha Benzema. Mbappé assumiria a função de ser referência do ataque enquanto os brasileiros atuariam pelos lados. Mas aí abriria mão do esquema que deu certo na última temporada.

— Hoje, o mais logico é tirar o Valverde, que é quem chega ali pela direita, puxar o Rodrygo para este lado e pôr o Mbappé no seu lugar. O ataque ficaria Mbappé e Vini. A linha de meio com o Bellingham mais na esquerda e o Rodrygo na direita, completando com Tchoauméni e Camavinga — opina Leonardo Miranda, responsável pelo blog “Painel Tático”, do ge.

O melhor indicador de qual formação usar, claro, virá do campo. A depender da partida, Ancelotti pode abrir mão de uma das peças do quarteto. Mas seus números na temporada tornam difícil a missão de escolher quem cederia a vaga.

Mbappé vem de temporada em que balançou as redes 44 vezes e deu 10 assistências em 48 jogos pelo PSG. Vini, eleito ontem o melhor jogador da Champions, marcou 24 e deu 9 passes para gol em 39 jogos pelo Real.

Já Bellingham marcou 23 vezes e deu 13 assistências em 42 jogos pelos merengues. Rodrygo, por sua vez, registra sete gols e 8 passes para os companheiros balançarem as redes em 51 partidas pelo clube. Na comparação com os demais, os números do ex-santista podem até parecer mais modestos. Mas o que as estatísticas não são capazes de mostrar é que ele é o mais versátil do quarteto.

— O Rodrygo foi revelado nos Santos como ponta esquerda e no Real passou a ser meia. É um 10 de articular o jogo. Mas é aquele 10 que joga como segundo atacante. E abre espaço para a chegada do Bellingham e do Valverde — completou Leonardo Miranda.

Ao menos, Ancelotti terá tempo para montar o quebra-cabeças. Mbappé está com a seleção francesa, que se prepara para a disputa da Eurocopa. Caso vá até a final, atuará pelos Bleus até 14 de julho. Depois, ainda terá férias para tirar. Com isso, sua estreia pelo Real pode ocorrer só em agosto.

Ansiedade para vestir a camisa branca parece não faltar. Ontem, ele celebrou o acerto em suas redes sociais fazendo questão de destacar que torcia para os merengues desde jovem. O francês publicou fotos de uma visita ao clube quando adolescente, com direito a um momento de tietagem a Cristiano Ronaldo, na época estrela do Real.

“Um sonho realizado. Muito feliz e orgulhoso de fazer parte do clube dos meus sonhos. É impossível explicar o quão feliz e emocionado me sinto neste momento. Estou impaciente para vê-los, madridistas, e obrigado pelo seu apoio incrível”, publicou.

Em meio a tudo isso, há ainda a chegada de Endrick. Mas a tendência é que, aos 18 anos, o ex-Palmeiras tenha uma primeira temporada de adaptação no Real. Uma dor de cabeça a menos para Ancelotti. Ao menos por enquanto.


Fonte: O GLOBO