Porto Velho, RO - O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta terça-feira (5) que a Meta, empresa detentora do Facebook, entregasse um vídeo publicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em janeiro, no qual terceiros questionam as urnas eletrônicas e disseminam notícias falsas sobre as eleições. O vídeo foi removido por Bolsonaro logo após a publicação.
O conteúdo em questão é considerado peça-chave para a apresentação da denúncia contra Bolsonaro por incitação ao crime, em decorrência dos ataques golpistas às sedes dos três Poderes em 8 de janeiro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) argumenta que o vídeo é fundamental para a formulação da denúncia.
Moraes deu prazo de 48 horas para a entrega do conteúdo pela Meta, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. A decisão foi tomada após a PGR alegar que a Meta já havia sido contatada há meses, mas não apresentou o material solicitado.
O vídeo apagado por Bolsonaro é considerado relevante porque o MPF (Ministério Público Federal) avaliou que militantes bolsonaristas que participaram dos ataques foram influenciados por teorias da conspiração que questionaram a vitória eleitoral do presidente Lula.
O Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos do MPF sustenta que o material é crucial para entender a influência dos discursos conspiratórios nos eventos de 8 de janeiro. O coordenador do grupo, subprocurador Carlos Frederico Santos, afirmou que Moraes havia determinado a inclusão de Bolsonaro no inquérito e a preservação do vídeo para posterior entrega.
A PGR também forneceu informações sobre o alcance do vídeo, como o total de visualizações, compartilhamentos e comentários antes de ser desligado. No entanto, mesmo após 11 meses do pedido, o material ainda não foi juntado ao inquérito.
O vídeo, publicado por Bolsonaro, apresentou um homem identificado como Dr. Felipe Gimenez questionando a segurança das urnas eletrônicas e propagando desinformação sobre a eleição do presidente Lula. Bolsonaro, em depoimento à Polícia Federal em abril, alegou ter postado o vídeo por engano, enquanto estava sob efeito de medicamentos. Afirmou que Bolsonaro tentou transferir o vídeo para seu arquivo no WhatsApp e que ele não viu a publicação, desligando-a imediatamente após ser alertado por seus auxiliares.
Fonte: O observador
