Dólar cai abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde julho de 2021


Moeda era negociada a R$ 4,9995 por volta das 11h; mesmo com pressão de tensão entre Rússia e Ucrânia, moeda americana já cai 10% no acumulado de 2022

Porto Velho, RO - A atração de investidores estrangeiros para o Brasil, cortesia dos juros altos após sucessivas altas da taxa básica de juros (a Selic), está aumentando o fluxo de investidores estrangeiros para o País e ignorando a crise geopolítica entre Rússia e Ucrânia.

Com isso, a moeda americana está em queda livre desde o início de 2022. Nesta terça-feira, 23, o dólar opera mais uma vez em queda. Por volta das 11h, furou a "barreira psicológica" de R$ 5 pela primeira vez desde julho de 2021, chegando a R$ 4,9995. Depois disso, o dólar vem se mantendo a R$ 5.

"Os investidores estrangeiros estão vindo para cá, atraídos pelos juros altos e ofertas secundárias de ações na bolsa ajudam também, além de papéis de algumas empresas ainda com preços atrativos", afirma o responsável pela área de cambio da Terra Investimentos, Vanei Nagem. O gestor do Fundo Verde, Luis Stuhlberger, também se manifestou, frisando nesta terça-feira que o mercado de câmbio está reagindo ao fluxo de recursos que entram no Brasil.

Segundo o estrategista Jefferson Laatus, do grupo Laatus, o IPCA-15 acima do previsto ajuda na ampliação da queda do dólar, porque indica que o ciclo de alta da taxa de juros não está perto do fim. Com a Selic mais alta, estrangeiros devem trazer dinheiro ao País em busca de ganhos maiores.

Segundo ele, os dados do setor externo anunciados pelo Banco Central mostram entrada de moeda estrangeira, tanto para investimentos como para aplicações financeiras, o que também dá fôlego ao movimento de redução de posições cambiais no mercado futuro.
Efeito das commodities

A alta dos preços das commodities, que subiram em dólar 13,5% entre a virada do ano e meados deste mês, também ajuda a explicar o fortalecimento da moeda brasileira em relação ao dólar nesse período, segundo o economista Lívio Ribeiro, pesquisador associado do FGV/Ibre.

Por meio de um modelo, ele acompanha os fatores determinantes da cotação das moedas. Funciona assim: quando o preço das matérias-primas aumenta em dólar no mercado internacional, países exportadores de commodities recebem mais divisas pelas vendas externas, e a sua moeda se valoriza.

Esse movimento vinha acontecendo com o Brasil e outros países exportadores de matérias-primas. Mas, nos últimos dez dias, o Brasil se destacou em relação a seus pares, observa o economista. E o movimento de perda de valor do dólar em relação ao real se acentuou, porque também o diferencial dos juros, hoje em 10,75%, atraiu forte entrada de recursos externos. Cerca de metade da desvalorização do dólar em relação ao real acumulada neste ano ocorreu só neste mês.

“A entrada de capitais neste ano por meio de investidores em Bolsa e as entradas de divisas relacionadas a exportações acabaram pressionado o dólar para baixo”, afirma Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior.

Cenário sustentável?

Apesar desse cenário favorável, especialistas avaliam que a queda do dólar tem fôlego curto. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, diz que esse cenário parece não ser sustentável e que o câmbio não deve ficar nesse patamar ao longo do ano. “Há espaço para depreciação do real por causa dos riscos eleitorais que devem aparecer à frente.” José Augusto de Castro, presidente da AEB, lembra que as projeções do mercado ainda apontam para o câmbio a R$ 5,50 no fim deste ano.

Fonte: Estadão


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