Agente penitenciário reforça ligação de empresário com a morte de líderes do PCC

David Moreira da Silva, de 38 anos, foi ouvido pela segunda vez na investigação do assassinato de Anselmo Bechelli Santa Fausta e Antonio Corona Neto

Porto Velho, RO - O agente penitenciário David Moreira da Silva, de 38 anos, deu detalhes que associam o empresário Antônio Vinícius Gritzbach ao assassinato de Anselmo Bechelli Santa Fausta e Antonio Corona Neto. Os dois traficantes ligados à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foram executados em dezembro do ano passado por Noé Alves Schaum, segundo a polícia.

Durante seu segundo depoimento no DHPP (Departamento de Homicídios de São Paulo), David disse que em setembro de 2021 estava em um bar no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, acompanhado por Noé, que era seu amigo de infância, quando encontrou Vinícius por acaso.

Segundo ele, o amigo teria se oferecido para trabalhar com o empresário em qualquer vaga que surgisse, pois ele tinha acabado de sair da cadeia onde cumpriu pena por vários crimes. Na ocasião, eles teriam trocado números telefônicos.

Ainda de acordo com o depoimento, em dezembro — mês dos assassinatos — Noé contou que Vinícius havia oferecido um trabalho a ele, mas não especificou o que era. Ele afirma ainda que depois dos homicídios, dirigindo o carro utilizado no crime, Noé teria parado na frente de sua casa e comentado sobre os assassinatos de Anselmo e Antônio dizendo "você viu aquela fita lá do Tatuapé?”.

David também disse aos policiais que assim que soube que Noé havia sido morto pela facção criminosa associou a fala do amigo ao duplo assassinato. E, por isso, teria fugido com a sua família para outro estado. Ele disse que sentiu medo apesar de não ter nenhum envolvimento com o crime.


Trecho do depoimento do agente penitenciário que a Record TV teve acesso exclusivo REPRODUÇÃO

Mudança no rumo das investigações

David não citou em nenhum momento do seu depoimento o megainvestidor em criptomoedas Pablo Henrique Borges, de 27 anos, preso na quarta-feira (16), em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O agente foi segurança pessoal dele até 2020.

David disse que conheceu Vinícius enquanto fazia a escolta de Pablo, e ambos mantinham investimentos em criptomoedas.

A polícia afirma que Vinícius apresentou clientes a Pablo, que seriam criminosos com interesse em lavar dinheiro ilícito investindo em bitcoins. Já Pablo afirmou em seu depoimento que nunca soube que investia para suspeitos, e que Vinícius apresentava esses clientes como empresários e comerciantes.

Segundo o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa Pablo, ele não tem nenhuma ligação com os assassinatos. Ele ainda reforça que sua relação com Vinícius era apenas profissional, linha de investigação que ganha força dentro da polícia.

“O que a defesa espera, por um imperativo de Justiça, é que antes mesmo da acareação prevista para quinta-feira (24), o delegado faça uma representação pela liberdade de Pablo. Até porque, com toda a espetacularização do caso, hoje Pablo corre risco de morte no sistema penitenciário”, afirmou Kakay.

Os advogados de Vinícius também negam que ele tenha alguma relação com o crime e a defesa de David afirmou que ele não está envolvido de forma alguma nos homicídios.

Fonte: R7

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