Porto Velho, RO - As articulações políticas em Brasília voltaram a movimentar o cenário eleitoral de Rondônia e colocaram o senador Confúcio Moura (MDB) no centro das negociações envolvendo as candidaturas ao governo e ao Senado nas eleições de 2026.
Mesmo diante das dificuldades enfrentadas dentro do próprio campo político, Confúcio teria intensificado as conversas com dirigentes nacionais de partidos em busca de uma composição que amplie suas possibilidades eleitorais. A estratégia, segundo informações de bastidores, envolve mudanças nas candidaturas atualmente colocadas por MDB e PT em Rondônia.
Candidatura de Pedro Abib entra nas articulações
Um dos principais pontos da negociação seria a candidatura de Pedro Abib ao governo de Rondônia, lançada pelo MDB durante a convenção estadual do partido.
A possibilidade de alteração na composição ainda estaria relacionada ao fato de a ata da convenção permanecer aberta até 5 de agosto, prazo que mantém espaço para eventuais ajustes na composição eleitoral da legenda.
Nos bastidores, a eventual retirada da candidatura de Abib seria discutida como parte de uma composição mais ampla envolvendo diferentes forças políticas.
PT também estaria no centro das negociações
Do lado do PT, as articulações poderiam atingir as candidaturas de Luciana Oliveira ao Senado e de Expedito Netto ao governo do Estado.
Segundo os relatos que circulam nos bastidores políticos, a estratégia teria como objetivo concentrar o apoio do campo progressista em torno de Confúcio Moura para a disputa por uma das duas vagas ao Senado.
A avaliação atribuída aos articuladores da negociação é de que a divisão do eleitorado identificado com a esquerda entre diferentes candidaturas poderia reduzir as chances de eleição de um representante desse campo político.
Nesse cenário, Confúcio seria considerado uma alternativa com maior capacidade de reunir setores distintos em torno de uma candidatura única ao Senado.
Pressão da direção nacional
As conversas ganham relevância diante do interesse da direção nacional do PT em ampliar sua presença no Senado a partir das eleições de 2026.
A eventual construção de uma aliança com Confúcio, no entanto, dependeria da aceitação das bases estaduais e da reorganização das candidaturas já definidas pelos partidos em Rondônia.
É justamente nesse ponto que a estratégia enfrenta resistência. A retirada de candidaturas aprovadas ou em processo de consolidação pode provocar reações entre dirigentes, militantes e grupos políticos que já trabalham nas respectivas campanhas.
MDB pode enfrentar tensão interna
Dentro do MDB, uma eventual mudança na candidatura de Pedro Abib poderia gerar desconforto entre setores que participaram da construção da chapa e defenderam candidatura própria ao governo.
Abib foi escolhido pelo partido para disputar o Palácio Rio Madeira durante a convenção estadual, e qualquer alteração dependerá dos procedimentos partidários e dos prazos estabelecidos pela legislação eleitoral.
A possibilidade de uma mudança também coloca em discussão a autonomia das decisões tomadas no âmbito estadual diante das articulações conduzidas pela direção nacional da legenda.
PT teria de reorganizar estratégia
No PT, uma eventual retirada da candidatura de Expedito Netto ao governo ou de Luciana Oliveira ao Senado também representaria uma mudança significativa na estratégia eleitoral definida pelo partido.
A construção de uma eventual aliança com Confúcio exigiria a reorganização do palanque petista e poderia provocar divergências entre lideranças estaduais, dirigentes nacionais e militantes.
O cenário, portanto, permanece aberto e depende da evolução das negociações entre as direções partidárias.
Cenário ainda pode mudar
As articulações em Brasília mostram que o quadro eleitoral de Rondônia ainda está sujeito a mudanças importantes antes do encerramento dos procedimentos partidários.
A eventual formação de uma composição envolvendo MDB e PT poderia alterar tanto a disputa pelo governo quanto a corrida pelas duas vagas ao Senado.
Até que as decisões sejam formalizadas pelos partidos e registradas nos prazos eleitorais, as negociações permanecem no campo das articulações políticas. O resultado dependerá da capacidade das lideranças nacionais e estaduais de conciliar interesses distintos e manter a unidade de suas respectivas bases.