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Ancelotti anuncia renovação da Seleção Brasileira e prevê fim de ciclo de veteranos após a Copa de 2026

Técnico afirma que Neymar, Casemiro e Danilo encerram uma geração, confirma reformulação visando 2030 e diz que recusou convite para comandar a seleção italiana

Porto Velho, RO - Carlo Ancelotti iniciou o planejamento da Seleção Brasileira para o ciclo da Copa do Mundo de 2030 e confirmou que a equipe passará por uma ampla renovação após o Mundial de 2026. Em entrevista ao ge, o treinador afirmou que o momento marca o encerramento de uma geração de jogadores que protagonizou a seleção nos últimos anos e destacou que a prioridade agora será abrir espaço para novos talentos.

Segundo o técnico italiano, a reformulação será gradual, mas inevitável.

"Acho que com essa Copa do Mundo termina uma geração de jogadores muito importantes. Começando por Neymar. Passando por Danilo, Casemiro, todos esses jogadores que na Copa do Mundo tinham mais de 30 anos", afirmou.

Ancelotti explicou que alguns atletas mais experientes permanecerão no grupo para dar continuidade ao trabalho, citando o zagueiro Marquinhos como exemplo.

"Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes, que podem seguir com a linha de trabalho, como o Marquinhos. Mas a ideia é mudar, botar uma nova geração."

Copa América de 2028 será o próximo grande desafio

O treinador reconheceu que o período entre a Copa do Mundo e a próxima competição oficial relevante será longo, já que o principal compromisso antes de 2030 será a Copa América de 2028, prevista para ser disputada nos Estados Unidos.

Ancelotti admitiu sentir a frustração pelo desempenho brasileiro no Mundial e afirmou compreender a decepção dos torcedores.

"Em nível pessoal, a minha reação é mais de decepção e tristeza porque um país está triste. Isso me faz sentir muito. Além disso, não temos a possibilidade de reagir rapidamente. Estamos falando de 2028, de 2030."

Segundo ele, até lá a seleção terá basicamente amistosos e partidas das Eliminatórias, o que torna o processo de reconstrução mais lento.

Estilo de jogo seguirá as características dos jogadores

Ao comentar as críticas ao desempenho da equipe na derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo, Ancelotti defendeu sua proposta tática.

Para o treinador, o Brasil deve explorar a velocidade e a capacidade ofensiva de jogadores como Vinícius Júnior, Endrick, Estêvão e Raphinha, em vez de priorizar a posse de bola.

"Quando tem na frente jogadores como Vinicius, Endrick, Estêvão e Raphinha, você não tem que fazer um jogo de posse. Você tem que fazer um jogo mais vertical."

O técnico comparou o perfil brasileiro ao da Espanha, campeã mundial, destacando que os espanhóis possuem uma geração excepcional de meio-campistas, fator que justifica um estilo diferente de jogo.

Autocrítica pela derrota para a Noruega

Ancelotti reconheceu que uma das decisões tomadas durante a partida comprometeu o desempenho da equipe.

Segundo ele, a mudança tática realizada após a parada para hidratação do segundo tempo fez o Brasil perder o controle do jogo.

"A autocrítica que eu posso fazer é que mudei a estrutura do time depois da parada para hidratação, e aí perdemos o controle da partida."

O treinador negou que tenha escalado Neymar e Endrick por pressão popular e afirmou que manter Neymar no grupo, mesmo lesionado, não foi um erro.

Jovens ganharão espaço

O comandante da Seleção Brasileira afirmou que a comissão técnica continuará observando jovens talentos, principalmente meio-campistas que possam ampliar as opções táticas da equipe.

Entre os nomes citados está o zagueiro Vitor Reis, de 20 anos, que deverá figurar nas próximas convocações.

Convite da Itália foi recusado

Ancelotti também confirmou ter sido procurado pela Federação Italiana de Futebol (FIGC) para assumir a seleção de seu país natal, mas decidiu permanecer no comando do Brasil.

Segundo o treinador, a decisão não foi motivada apenas pelo contrato firmado com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas pelo compromisso assumido com o futebol brasileiro.

"Simplesmente teve contato da federação, mas não é um problema de contrato, é de compromisso. Tenho compromisso com o Brasil pelo ano que passei aqui, fui muito bem recebido e não quero cortar esse compromisso. Quero continuar trabalhando e continuar com a seleção."

Com contrato válido até a Copa do Mundo de 2030, Ancelotti agora concentra esforços na formação de uma nova geração para recolocar o Brasil na disputa pelo hexacampeonato mundial.

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