Ad Code

Juros altos adiam sonho do primeiro imóvel

Selic em 14,5% encarece crédito imobiliário e dificulta compra da casa própria

Porto Velho, RO - O cenário de juros elevados no Brasil tem dificultado o acesso ao crédito imobiliário e adiado o sonho da casa própria para muitas pessoas.

Com a Selic em 14,5% ao ano, o financiamento ficou mais caro, exigindo maior renda e planejamento financeiro por parte dos compradores.

Dados do Banco Central ajudam a dimensionar os efeitos desse movimento no mercado. O volume de financiamentos contratados pelo SFH (Sistema Financeiro da Habitação) atingiu o pico do atual governo em setembro de 2024, quando somou R$ 17,62 bilhões. Hoje, o número recuou para R$ 16,98 bilhões.

A falta de dinamismo do segmento contrasta com as operações voltadas ao MCMV (Minha Casa Minha Vida), que opera com juros subsidiados pelo governo federal.

Desde 2023, o MCMV já soma cerca de 2,3 milhões de moradias contratadas, com meta de alcançar 3 milhões até o fim de 2026.

Para o economista da Análise Econômica, André Galhardo, a ampliação do programa para famílias de renda mais alta – com a Faixa 4, que beneficia compradores com renda mensal de até R$ 13 mil – ajudou a sustentar a tendência de alta.

“Boa parte dos imóveis que tem sido lançados hoje está ligada ao Minha Casa Minha Vida. Não fosse o apoio de taxas subsidiadas, o setor de construção civil estaria em uma situação muito mais delicada, porque as taxas atuais são praticamente proibitivas para o consumo”, diz o economista.

Na avaliação do presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon), Haroldo da Silva, os juros altos mudam o perfil de quem consegue comprar um imóvel atualmente.

“Os juros elevados aumentam significativamente o custo do financiamento imobiliário e restringem o acesso ao crédito para parte da classe média. Isso exige maior renda, entradas mais robustas e melhor capacidade financeira para aprovação do crédito, favorecendo compradores com maior patrimônio acumulado”, observa.

Enquanto parte da população encontra dificuldade para financiar imóveis, especialistas apontam um possível efeito rebote no segmento de alta renda.

Com retornos maiores em aplicações de renda fixa, como títulos do Tesouro, investidores com maior patrimônio ganham poder de negociação e conseguem esperar momentos mais favoráveis para comprar.

“Como os juros elevados reduzem o número de compradores dependentes de financiamento, aumenta o poder de negociação daqueles que possuem liquidez ou menor necessidade de crédito”, explica Haroldo.

Ele acrescenta que os ganhos com renda fixa podem inclusive ajudar no pagamento de financiamentos.

Ainda assim, Haroldo ressalta que o imóvel continua sendo visto como proteção patrimonial no longo prazo.

“No curto prazo, os juros elevados tornam a renda fixa bastante competitiva. Por outro lado, o imóvel segue sendo instrumento de proteção patrimonial, diversificação e preservação de valor”, afirma.

Além disso, segundo Odilon Guedes, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), o comportamento do investidor depende do perfil de risco.

“Um investidor conservador provavelmente prefere comprar um imóvel, porque ele oferece segurança patrimonial. Já um investidor mais ousado pode preferir aplicar o dinheiro no mercado financeiro, aproveitando o ganho elevado proporcionado pelos juros reais”, pondera.

Inadimplência em alta

Dados divulgados pelo BC mostram o avanço da inadimplência. A taxa de atraso nos financiamentos imobiliários para pessoas físicas subiu de 1% em dezembro de 2025 para 1,4% em abril de 2026.

Para Haroldo da Silva, o cenário exige planejamento rigoroso antes de assumir uma dívida de longo prazo.

“O comprador não pode avaliar apenas a parcela inicial. É preciso considerar estabilidade de renda, reserva de emergência, custo efetivo total da operação e também despesas adicionais, como tributos e custos de registro do imóvel”, afirma.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

Fonte: CNN Brasil
Reactions