Porto Velho, RO - A combinação de custos mais altos, crédito mais restrito e preços deprimidos das commodities agrícolas deve pressionar o agronegócio brasileiro e a indústria de defensivos agrícolas ao longo deste ano, segundo representantes do setor.
Vice-presidente do Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal) e executivo da Ihara, Julio Borges Garcia afirmou que o ambiente não é favorável para o setor. “Eu receio que esse ano será pior do que foi o ano passado”, disse.
Segundo ele, o aumento dos custos de produção, com alta de fertilizantes, combustíveis e fretes, somado ao crédito mais caro e escasso, ocorre em um momento em que os preços das commodities não acompanharam a mesma trajetória de alta.
Garcia afirmou que os preços dos defensivos chegaram a atingir níveis elevados durante a pandemia, mas depois recuaram de forma significativa. “Os preços estão nos níveis mais baixos que a gente já viu na história”, afirmou. Segundo ele, porém, a recente escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar os custos de matérias-primas. “Já tivemos pelo menos uns 30 ativos que subiram mais de 20%, 30%, 40%”, disse, destacando, sobretudo, o glifosato.
Garcia disse que os aumentos de custos ainda não foram totalmente repassados aos produtores rurais, mas devem chegar gradualmente ao mercado. Segundo ele, parte das compras realizadas anteriormente ainda aproveitou estoques antigos. “Uns 15% do que foi comprado conseguiu aproveitar os preços antigos”, explicou.
Apesar disso, o executivo afirmou que não há, neste momento, problemas globais de oferta de produtos. A avaliação é compartilhada por André Pozza, diretor de marketing da Syngenta no Brasil.
“Não existe hoje, globalmente falando, um problema de falta de produção ou algum problema de não conseguir produzir algum produto como a gente teve no período da Covid”, afirmou Pozza. Segundo ele, os principais impactos atuais estão relacionados à alta da energia, do petróleo e do frete.
Pozza afirmou que os reajustes variam conforme a origem dos produtos. Segundo ele, defensivos provenientes da China registraram aumento de cerca de 40% no custo de origem, também influenciados pelo frete, enquanto outros produtos tiveram elevação entre 3% e 5%.
De acordo com Garcia, o repasse dos custos não deve resultar em aumento de margens para a indústria. “É só um repasse desse aumento de custo para as indústrias, não vai ser um aumento de margem”, afirmou. Ele acrescentou que fabricantes, revendedores e cooperativas vêm registrando resultados inferiores aos observados nos anos anteriores, em razão da combinação entre preços menores dos produtos e custos fixos mais elevados.
Pozza também descreveu um ambiente de margens pressionadas em toda a cadeia do agronegócio. “Desde o agricultor, passando pela indústria, pela rede de distribuição, toda cadeia está trabalhando com pressão de margem pelo aumento dos custos”, afirmou.
Ritmo de compras
Em relação às compras para a safra 2026/27, Pozza disse que o ritmo está acima do registrado no mesmo período do ano passado, embora ainda abaixo da média histórica. Segundo ele, o mercado estava em torno de 25% comercializado nesta época em 2025, enquanto atualmente varia entre 30% e 35%, dependendo da região. Historicamente, porém, o percentual médio neste período seria próximo de 40%.
Pozza atribuiu a antecipação das compras ao receio de novos aumentos de preços após o início dos conflitos internacionais. “Os produtores que já estavam com seu planejamento alinhado anteciparam essa agenda de incremento e foram ao mercado tomar sua posição de custo”, afirmou.
Ele destacou, contudo, que não há muito espaço para o adiamento de compras dos produtores. Para Pozza, o calendário da próxima safra, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões do país, reduz o espaço para postergação das negociações.
Em relação às compras para a safra 2026/27, Pozza disse que o ritmo está acima do registrado no mesmo período do ano passado, embora ainda abaixo da média histórica. Segundo ele, o mercado estava em torno de 25% comercializado nesta época em 2025, enquanto atualmente varia entre 30% e 35%, dependendo da região. Historicamente, porém, o percentual médio neste período seria próximo de 40%.
Pozza atribuiu a antecipação das compras ao receio de novos aumentos de preços após o início dos conflitos internacionais. “Os produtores que já estavam com seu planejamento alinhado anteciparam essa agenda de incremento e foram ao mercado tomar sua posição de custo”, afirmou.
Ele destacou, contudo, que não há muito espaço para o adiamento de compras dos produtores. Para Pozza, o calendário da próxima safra, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões do país, reduz o espaço para postergação das negociações.
Crédito e inadimplência
O crédito rural também foi apontado como uma das principais preocupações do setor. Garcia afirmou que a indústria perdeu recursos nos últimos anos e que deve haver uma disputa maior por garantias para concessão de financiamento.
“O banco não vai querer dar direto ao produtor como estava fazendo. Vai ser mais através das indústrias”, afirmou. Segundo ele, as empresas tendem a atuar como intermediárias na seleção de produtores com melhores condições de crédito.
Garcia disse ainda que o custo do financiamento se tornou um obstáculo adicional para os agricultores. “O produtor não consegue pagar”, afirmou. Segundo ele, a rentabilidade dos grãos nos últimos anos caiu a níveis que dificultam até o pagamento de arrendamentos.
O executivo também relatou aumento da inadimplência no setor. Segundo ele, o índice dobrou entre 2024 e 2025 e, no primeiro trimestre de 2026, voltou a dobrar em relação ao mesmo período do ano passado
Além da pressão dos custos, o setor acompanha a queda das commodities agrícolas e o comportamento do câmbio. “Eu estava esperando um pouquinho de reação dos preços das commodities, mas bem longe do que deveria ser para compensar esses aumentos de custo”, disse Garcia. Ele afirmou ainda que a valorização do real frente ao dólar também preocupa o segmento.
Presidente do Sindiveg e executivo da Bequisa, Maurício Marques afirmou que o cenário “mexe com o ânimo do produtor”. Segundo ele, em anos de condições climáticas favoráveis, os agricultores tendem a investir mais em tecnologia e em produtos de maior valor agregado.
Marques descreveu o momento atual como difícil para a agricultura brasileira, especialmente devido à queda nos preços das commodities. Segundo ele, a soja, que chegou a ser comercializada a cerca de R$ 180 por saca há três anos, atualmente gira em torno de R$ 110. Já o milho, que era vendido entre R$ 75 e R$ 80, estaria próximo de R$ 50. “Os custos de insumos, de maneira geral, subiram. O petróleo subiu, o frete subiu. E a commodity não”, afirmou.
O crédito rural também foi apontado como uma das principais preocupações do setor. Garcia afirmou que a indústria perdeu recursos nos últimos anos e que deve haver uma disputa maior por garantias para concessão de financiamento.
“O banco não vai querer dar direto ao produtor como estava fazendo. Vai ser mais através das indústrias”, afirmou. Segundo ele, as empresas tendem a atuar como intermediárias na seleção de produtores com melhores condições de crédito.
Garcia disse ainda que o custo do financiamento se tornou um obstáculo adicional para os agricultores. “O produtor não consegue pagar”, afirmou. Segundo ele, a rentabilidade dos grãos nos últimos anos caiu a níveis que dificultam até o pagamento de arrendamentos.
O executivo também relatou aumento da inadimplência no setor. Segundo ele, o índice dobrou entre 2024 e 2025 e, no primeiro trimestre de 2026, voltou a dobrar em relação ao mesmo período do ano passado
Além da pressão dos custos, o setor acompanha a queda das commodities agrícolas e o comportamento do câmbio. “Eu estava esperando um pouquinho de reação dos preços das commodities, mas bem longe do que deveria ser para compensar esses aumentos de custo”, disse Garcia. Ele afirmou ainda que a valorização do real frente ao dólar também preocupa o segmento.
Presidente do Sindiveg e executivo da Bequisa, Maurício Marques afirmou que o cenário “mexe com o ânimo do produtor”. Segundo ele, em anos de condições climáticas favoráveis, os agricultores tendem a investir mais em tecnologia e em produtos de maior valor agregado.
Marques descreveu o momento atual como difícil para a agricultura brasileira, especialmente devido à queda nos preços das commodities. Segundo ele, a soja, que chegou a ser comercializada a cerca de R$ 180 por saca há três anos, atualmente gira em torno de R$ 110. Já o milho, que era vendido entre R$ 75 e R$ 80, estaria próximo de R$ 50. “Os custos de insumos, de maneira geral, subiram. O petróleo subiu, o frete subiu. E a commodity não”, afirmou.
Fonte: CNN Brasil