Caso Clei Bagattini: Detalhes do julgamento que condenou intermediadores em Vilhena

Sessão foi marcada por tensão, retirada do público e revelou detalhes do planejamento do crime; investigações seguem para identificar mandante

Porto Velho, RO - O Tribunal do Júri de Vilhena encerrou, na madrugada deste sábado (25), um dos julgamentos mais aguardados da região. Após quase 20 horas de sessão, marcadas por debates intensos e momentos de tensão, o conselho de sentença definiu o destino de Maikon Sega Araújo e Raqueline Leme Machado, envolvidos no assassinato do dentista Clei Bagattini, morto dentro do próprio consultório em Rondônia.

O julgamento teve um momento crítico quando a juíza presidente, Liliane Pegoraro Bilharva, determinou a retirada do público do plenário. A decisão ocorreu após a defesa mencionar informações sigilosas de outro inquérito e citar nomes de possíveis envolvidos que não estavam sendo julgados. Durante a sustentação, um dos advogados chegou a afirmar que “ainda há partes dessa história que precisam ser reveladas”, sugerindo a existência de outros participantes no crime.

“Conhecemos o meio da cobra, precisamos conhecer o rabo e a cabeça da cobra”, sugerindo que ainda há envolvidos não alcançados pela justiça.

Clei Bagattini, dentista morto no próprio consultório em RO

Condenações e penas

Maikon Sega Araújo foi condenado a 23 anos e 4 meses de prisão por homicídio duplamente qualificado — mediante pagamento e com recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Segundo a magistrada, ele teve papel central na logística do crime, incluindo o fornecimento da motocicleta utilizada na fuga. A pena será cumprida em regime fechado, sem direito de recorrer em liberdade.

Já Raqueline Leme Machado foi condenada a 6 anos de prisão por homicídio simples. As qualificadoras foram afastadas pelos jurados, e a pena foi fixada no mínimo legal. Ela iniciará o cumprimento em regime semiaberto e poderá recorrer em liberdade, mantendo o uso de tornozeleira eletrônica, considerando sua colaboração com a investigação e a ausência de antecedentes criminais.

O autor dos disparos, Maico da Silva Raimundo, não foi julgado. Ele morreu no fim de 2024, em confronto com a polícia no estado do Mato Grosso, após meses foragido.

Crime planejado

As investigações apontaram um alto nível de organização. O executor marcou uma consulta falsa com nome fictício um dia antes do crime para ganhar acesso ao consultório. Como plano alternativo, Raqueline teria agendado um segundo horário, garantindo outra oportunidade caso a primeira tentativa falhasse.

Além disso, o grupo se reuniu na véspera para alinhar detalhes da execução, fuga e troca de veículos, evidenciando premeditação e divisão de tarefas.

Depoimentos e impacto

Ao longo do julgamento, 17 testemunhas foram ouvidas. O depoimento da mãe da vítima emocionou o plenário, ao descrever o filho como uma pessoa dedicada e sem inimigos. A esposa do dentista também relatou o impacto profundo do crime, especialmente na vida do filho menor do casal.

Investigações continuam

Apesar das condenações, o caso ainda deixa lacunas importantes. As autoridades seguem investigando quem teria ordenado o crime e qual foi sua real motivação. O Ministério Público de Rondônia informou que as apurações continuam com o objetivo de identificar o possível mandante e esclarecer completamente o caso.




Reactions