MPRO recomenda que Polícia Civil de Rondônia siga regras no reconhecimento de pessoas para evitar erros e condenações injustas

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MPRO recomenda que Polícia Civil de Rondônia siga regras no reconhecimento de pessoas para evitar erros e condenações injustas

MPRO recomenda que Polícia Civil siga regras no reconhecimento de pessoas para evitar erros e condenações injustas – Foto: Reprodução/Ilustrativa (Alô Rondônia)

Gaesp orienta delegados a cumprir normas nacionais e registrar todos os atos; STJ tem anulado condenações quando regras não são seguidas

Porto Velho, Rondônia –
O Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública (Gaesp), recomendou que a Polícia Civil de Rondônia cumpra rigorosamente as regras legais e normativas relacionadas ao reconhecimento de pessoas em investigações criminais.

A orientação foi publicada na última terça-feira (25/2) e busca evitar erros, anulações de processos e condenações injustas, especialmente diante de decisões recentes da Justiça que invalidaram reconhecimentos feitos de forma irregular.

A recomendação foi assinada pelo coordenador do Gaesp, Promotor de Justiça Pablo Hernandez Viscardi.
 
STJ TEM ANULADO RECONHECIMENTOS IRREGULARES

O Gaesp destaca que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem considerado inválidos reconhecimentos que não seguem os protocolos legais. Conforme entendimento do tribunal, o reconhecimento só pode ser usado como prova se cumprir rigorosamente as normas e for confirmado por outros elementos de investigação.

Além disso, o documento cita orientações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e protocolo do Ministério da Justiça, que estabelecem padrões nacionais para o procedimento.

O MPRO ressalta que a memória humana é falível, sendo influenciada por medo, estresse e pelo tempo decorrido desde o crime, o que exige cautela redobrada dos investigadores.
 
COMO O RECONHECIMENTO DEVE SER FEITO

A recomendação estabelece regras que devem ser observadas por delegados e equipes policiais:
 
1. Descrição prévia

A vítima ou testemunha deve descrever o suspeito antes de ver qualquer imagem.
 
2. Reconhecimento presencial

O suspeito deve ser apresentado ao lado de pelo menos quatro pessoas com características semelhantes, chamadas de “preenchimento”, para evitar indução.
 
3. Uso de fotos apenas em casos excepcionais

A Polícia Civil deve justificar por escrito quando não for possível realizar o reconhecimento presencial.

É proibido:
  • mostrar apenas a foto de um suspeito,
  • usar imagens de redes sociais sem controle,
  • exibir fotografias de forma isolada que favoreçam indução.
4. Registro obrigatório

Todo o ato deve ser documentado por escrito e, se possível, gravado em vídeo, garantindo transparência ao juiz que analisará a prova.
 
PRAZO PARA RESPOSTA

O delegado-geral da Polícia Civil tem 30 dias para informar ao Ministério Público se adotará as medidas recomendadas, bem como repassar a orientação a todas as delegacias do estado.

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