Laudo aponta múltiplas lesões antigas e negligência extrema na morte de Marta Isabele, diz Polícia Civil

Novidades

6/recent/ticker-posts

Laudo aponta múltiplas lesões antigas e negligência extrema na morte de Marta Isabele, diz Polícia Civil

Delegada responsável detalhou avanços do inquérito e confirmou lesões antigas, imobilização prolongada e sinais de abandono – Foto: Divulgação (Alô Rondônia)

Exames indicam imobilização contínua, infecções generalizadas e ausência total de atendimento médico; investigação entra na fase final

Porto Velho, Rondônia – O laudo tanatoscópico que analisa as causas da morte da adolescente Marta Isabele confirma um cenário de violência prolongada, múltiplas lesões antigas e negligência extrema, segundo informações prestadas pela delegada responsável durante entrevista coletiva. A jovem, que vivia sob cuidados do pai e da madrasta, morreu após um período de abusos, maus-tratos e abandono que, segundo a Polícia Civil, retiraram qualquer possibilidade de sobrevivência.

LAUDO APONTA IMOBILIZAÇÃO PROLONGADA E INFECÇÕES

A delegada informou que o laudo está em fase de finalização e será anexado ao inquérito nos próximos dias. Os elementos já analisados revelam que Marta apresentava:
  • Lesões antigas distribuídas pelo corpo;
  • Marcas compatíveis com imobilização contínua e prolongada;
  • Feridas sem qualquer tratamento, que evoluíram para infecções generalizadas;
  • Ausência total de atendimento médico, mesmo diante do quadro grave.
“Ela sequer teve o mínimo de atendimento. Não teve chance de ser salva”, afirmou a delegada, ao detalhar trechos do exame técnico.

INVESTIGAÇÃO SERÁ CONCLUÍDA NOS PRÓXIMOS DIAS

O caso segue em fase final de instrução, dentro do prazo legal de 10 dias, já que envolve réu preso. A Polícia Civil ainda apura elementos relacionados a possíveis violações de natureza sexual, que permanecem sob sigilo para não comprometer a conclusão do inquérito.

PAI NEGOU ARREPENDIMENTO E MANTEVE REDE DE MENTIRAS

A delegada destacou que o pai da adolescente não demonstrou arrependimento durante o depoimento. Segundo ela, ele e a madrasta sustentaram uma série de mentiras para ocultar o estado real da jovem.

A mãe da vítima, residente na divisa entre Rio Grande do Norte e Paraíba, relatou que só tinha contato por videochamada e era constantemente enganada. Recebia explicações de que Marta estaria:
  • Na escola;
  • Em retiro religioso;
  • Ou até que “tinha passado de ano”, embora não estivesse frequentando as aulas.
A mãe já foi formalmente ouvida e coopera com a investigação.

MADRASTA É APONTADA COMO PARTICIPANTE DIRETA DE MAUS-TRATOS

De acordo com as informações levantadas pela Polícia Civil, a madrasta tinha total conhecimento das violências e também participava dos abusos. Entre as práticas identificadas estão:
  • Obrigar a adolescente a dormir no chão, sem coberta;
  • Oferecer restos de comida, “que até os animais comiam”;
  • Cortar o cabelo de forma extremamente curta, motivada por ciúmes;
  • Submeter a jovem a um ambiente de constante humilhação.
“Essa adolescente sofreu muito”, disse a delegada.

POSSÍVEL ATUAÇÃO DE RELIGIOSOS ESTÁ SENDO APURADA

A polícia também investiga informações que circulam nas redes sociais envolvendo um pastor que teria visitado a vítima e atribuído seu estado a questões religiosas. A delegada confirmou que o tema está sendo apurado, mas evitou detalhar para não comprometer a conclusão do inquérito.

RELEMBRE O CASO

Marta Isabele, adolescente residente em Porto Velho, morreu após um período de violência física, psicológica e negligência sistemática. O caso veio à tona após denúncias e mobilizou a Polícia Civil, que prendeu o pai e a madrasta. As primeiras análises apontaram que a jovem era mantida em condições degradantes e isolada, sem alimentação adequada e sem acesso a cuidados básicos.

A morte provocou forte repercussão social e levantou debate sobre mecanismos de proteção à infância e adolescência. O inquérito deve ser finalizado nos próximos dias, com indiciamentos baseados nas provas técnicas e nos depoimentos colhidos.

CONFIRA A COLETIVA DE IMPRENSA DO CASO 



Reactions

Postar um comentário

0 Comentários