Governo cria monitoramento do mercado de combustíveis após tensão no Oriente Médio

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Governo cria monitoramento do mercado de combustíveis após tensão no Oriente Médio

Abastecimento em posto de combustíveis no Brasil; governo federal intensificou monitoramento do setor diante de impactos da crise no Oriente Médio – Foto: Petrobras/Divulgação/Arquivo (Alô Rondônia)

Ministério de Minas e Energia acompanhará diariamente preços e abastecimento; estados relatam aumentos nas distribuidoras sem reajuste da Petrobras.

Porto Velho, Rondônia – O Ministério de Minas e Energia (MME) criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para acompanhar diariamente a situação do mercado de combustíveis no Brasil. A medida ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, região que concentra grande parte das reservas mundiais de petróleo.

De acordo com o governo federal, o objetivo é intensificar o acompanhamento das cadeias globais de suprimento de petróleo, da logística de abastecimento no país e da evolução dos preços dos combustíveis.

O monitoramento será feito em articulação com órgãos reguladores e com empresas que atuam na produção, importação e distribuição de combustíveis.

MONITORAMENTO DO ABASTECIMENTO

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a iniciativa busca identificar rapidamente eventuais riscos ao abastecimento nacional e coordenar medidas para manter a segurança energética do país.

A pasta também informou que ampliou as interlocuções com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e com agentes do mercado para acompanhar possíveis impactos da crise internacional.

O Oriente Médio é responsável por cerca de 60% das reservas globais de petróleo, o que faz com que conflitos na região tenham potencial de afetar preços e oferta do combustível no mercado internacional.

IMPACTO NO BRASIL

Apesar da instabilidade no cenário internacional, o governo avalia que a exposição direta do Brasil ao conflito é limitada.

O país é exportador de petróleo bruto e importa parte dos derivados consumidos internamente, principalmente diesel. No entanto, a participação de países do Golfo Pérsico como fornecedores desses derivados é considerada relativamente pequena.

SUSPEITA DE AUMENTOS NAS DISTRIBUIDORAS

Paralelamente ao monitoramento do mercado, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que avalie aumentos recentes nos preços dos combustíveis registrados em alguns estados.

O pedido foi feito após representantes de sindicatos do setor informarem que distribuidoras teriam elevado os preços de venda para postos, alegando alta do petróleo causada pelo conflito no Oriente Médio.

Entre as entidades que relataram os aumentos estão sindicatos de combustíveis do Distrito Federal, Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

INVESTIGAÇÃO SOBRE POSSÍVEL IRREGULARIDADE

Segundo o Ministério de Minas e Energia, até o momento a Petrobras não anunciou reajuste nos preços praticados em suas refinarias.

Diante disso, a Senacon solicitou que o Cade analise se há indícios de práticas que possam afetar a livre concorrência, como eventual alinhamento de preços entre empresas do setor.

A avaliação busca identificar possíveis condutas que possam prejudicar consumidores ou gerar aumentos injustificados no mercado de combustíveis.
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