Embaixador do Brasil no Irã avalia que derrubada do regime seria “tarefa sangrenta” e alerta para impacto global

Novidades

6/recent/ticker-posts

Embaixador do Brasil no Irã avalia que derrubada do regime seria “tarefa sangrenta” e alerta para impacto global

Conflito no Oriente Médio aumenta tensão internacional e levanta preocupações sobre estabilidade política e impactos econômicos globais Foto: Andre Veras/Reprodução (Alô Rondônia)

 Diplomata brasileiro afirma que ofensiva militar contra o Irã exigiria esforço terrestre complexo e poderia gerar grandes perdas humanas e econômicas.

Porto Velho, Rondônia – O embaixador do Brasil no Irã, André Veras, afirmou que uma eventual tentativa de derrubar o regime islâmico iraniano por meio de intervenção militar estrangeira seria uma operação extremamente complexa e violenta, com riscos significativos para a estabilidade global. A avaliação foi feita durante entrevista concedida nesta segunda-feira (9) ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional.

CONFLITO EXIGIRIA OPERAÇÃO TERRESTRE COMPLEXA

De acordo com o diplomata, ataques aéreos isolados dificilmente seriam suficientes para provocar uma mudança de regime no país. Na avaliação dele, uma ofensiva eficaz exigiria o envio de tropas terrestres, cenário que poderia resultar em um conflito prolongado e de grandes proporções.

Veras destacou que fatores como o tamanho do território iraniano, o relevo predominantemente montanhoso e a capacidade militar do país representam obstáculos relevantes para qualquer intervenção estrangeira.

“Se quiserem realmente derrubar o regime, será uma tarefa hercúlea e sangrenta”, afirmou o embaixador durante a entrevista.

POPULAÇÃO TENTA MANTER ROTINA APÓS ATAQUES

Mesmo após os ataques aéreos realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos em território iraniano, o embaixador relatou que a infraestrutura básica do país continua funcionando.

Segundo ele, serviços como fornecimento de água, energia elétrica e gás seguem ativos. O comércio permanece aberto e muitas escolas continuam suas atividades de forma remota.

Entre as mudanças no cotidiano está o racionamento de gasolina, causado tanto pelos impactos do conflito quanto por limitações prévias na capacidade de refino do país.

SUCESSÃO POLÍTICA OCORREU RAPIDAMENTE

O diplomata também destacou a rápida sucessão política após a morte do líder supremo Ali Khamenei, que chefiava o Estado iraniano há mais de três décadas.

A Assembleia dos Especialistas confirmou recentemente a escolha de Seyyed Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder, como novo chefe do Estado. Para Veras, a substituição demonstra a capacidade institucional do sistema político iraniano de manter sua estrutura mesmo diante de crises.

Ainda assim, a escolha pode intensificar críticas internas, já que a revolução islâmica de 1979 foi marcada justamente pela rejeição a sistemas de sucessão familiar no poder.

BRASILEIROS NO IRÃ

Segundo o embaixador, cerca de 200 brasileiros vivem atualmente no Irã, a maioria mulheres casadas com cidadãos iranianos. Até o momento, não houve necessidade de discutir uma operação de retirada de brasileiros do país.

As fronteiras terrestres com países vizinhos permanecem abertas e a embaixada brasileira segue acompanhando a situação e prestando assistência consular quando necessário.

POSSIBILIDADE DE SOLUÇÃO DIPLOMÁTICA

Apesar do agravamento das tensões, o diplomata avalia que ainda existe espaço para uma solução negociada.

Segundo ele, o Irã busca o fim das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, enquanto a comunidade internacional também tem interesse na estabilidade econômica e na preservação das rotas comerciais globais.


Fonte: Agência Brasil.

Reactions

Postar um comentário

0 Comentários