Navio graneleiro descarrega soja no Porto de Paranaguá, atividade que impulsionou o desempenho agropecuário em 2025 – Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters (Alô Rondônia)
PIB fecha quinto ano consecutivo de expansão, mas mostra desaceleração no último trimestre
Porto Velho, Rondônia – A economia brasileira registrou crescimento de 2,3% em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira (3). O resultado marca o quinto ano consecutivo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB), embora o ritmo tenha sido mais moderado em relação aos anos anteriores.
No quarto trimestre, o PIB variou 0,1% frente ao período imediatamente anterior, indicando estabilidade no fim do ano. Em valores correntes, o PIB somou R$ 12,7 trilhões, enquanto o PIB per capita atingiu R$ 59.687, avanço real de 1,9% na comparação com 2024.
DESEMPENHO DOS SETORES
A análise pela ótica da produção mostra que todas as atividades econômicas cresceram em 2025, com destaque para a agropecuária, que avançou 11,7%. A expansão foi impulsionada por recordes de produtividade, especialmente nas culturas de milho (23,6%) e soja (14,6%).
O setor industrial cresceu 1,4%, fortemente influenciado pela extração de petróleo e gás, que registrou alta de 8,6% no valor adicionado. A construção civil permaneceu praticamente estável, com leve variação de 0,5%.
Nos serviços, houve crescimento generalizado de 1,8%, com os melhores resultados em:
- Informação e comunicação (6,5%)
- Serviços financeiros, de seguros e relacionados (2,9%)
- Transporte, armazenagem e correio (2,1%)
- Outras atividades de serviços (2,0%)
- Atividades imobiliárias (2,0%)
Segundo o IBGE, a agropecuária respondeu por 32,8% da contribuição total para o crescimento do PIB em 2025. Somadas às indústrias extrativas, às atividades de informação e comunicação e a outras atividades de serviços, essas áreas representaram 72% do avanço econômico no ano.
CONSUMO DAS FAMÍLIAS PERDE RITMO
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3%, influenciado pela melhora no mercado de trabalho e pelo aumento do crédito. Apesar disso, o desempenho ficou abaixo do registrado em 2024, quando o avanço havia sido de 5,1%.
O IBGE aponta que a desaceleração está relacionada ao ambiente de juros elevados. A taxa Selic foi elevada de 10,5% para 15% ao ano entre setembro de 2024 e junho de 2025, permanecendo nesse patamar como medida de combate à inflação persistente.
O consumo do governo cresceu 2,1%, enquanto os investimentos — medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo — avançaram 2,9%, puxados pela importação de bens de capital e pelo desenvolvimento de software.
A taxa de investimento fechou em 16,8% do PIB, ligeiramente abaixo dos 16,9% de 2024, e a taxa de poupança ficou em 14,4%.
ESTABILIDADE NO QUARTO TRIMESTRE
No último trimestre de 2025, a leve variação positiva de 0,1% refletiu comportamentos distintos entre os setores:
- Agropecuária: +0,5%
- Serviços: +0,8%
- Indústria: –0,7%
Pela ótica do consumo, o gasto das famílias ficou estável, enquanto o do governo cresceu 1%. Já os investimentos recuaram 3,5% no período.
A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacou que o crescimento do consumo público e a estabilidade no consumo das famílias compensaram a queda nos investimentos, contribuindo para manter o PIB praticamente estável.
JUROS ALTOS E IMPACTOS NA ECONOMIA
A política monetária mais restritiva, adotada para conter a inflação, influenciou diretamente o ritmo da economia em 2025. O IPCA permaneceu 13 meses fora da meta, pressionando o Banco Central a manter juros elevados por um período prolongado.
A Selic mais alta encareceu o crédito e reduziu o ímpeto de consumo e investimento. Apesar disso, o ano terminou com a menor taxa de desemprego já registrada, segundo o IBGE, indicando resiliência do mercado de trabalho mesmo diante das restrições monetárias.
O QUE É O PIB
O Produto Interno Bruto representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país em determinado período. O indicador permite avaliar o comportamento da economia e realizar comparações internacionais, embora não reflita, por si só, aspectos como distribuição de renda ou condições de vida.
O cálculo envolve diversas pesquisas setoriais — comércio, serviços, indústria — e considera os preços finais ao consumidor, incluindo os impostos incidentes.
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