Tesoureiro é investigado por desviar cerca de R$ 13 milhões da saúde para apostas online em São Francisco do Guaporé

Prefeitura de São Francisco do Guaporé confirmou o afastamento do servidor e a abertura de investigações após suspeita de desvio milionário - Foto: Reprodução/Redes sociais (Alô Rondônia)

Servidor confessou parte dos desvios e foi afastado; caso envolve recursos federais e mobiliza Polícia Civil, Polícia Federal e órgãos de controle

Porto Velho, Rondônia – A Prefeitura de São Francisco do Guaporé, no interior de Rondônia, afastou um servidor público suspeito de desviar valores milionários da Secretaria Municipal de Saúde para realizar apostas em jogos de azar online. A estimativa preliminar aponta prejuízo em torno de R$ 13 milhões, mas o valor exato ainda será calculado em auditoria.

O caso é tratado como uma das maiores suspeitas de desvio de recursos públicos já registradas no município, que tem cerca de 16 mil habitantes.
A investigação foi aberta pela Polícia Civil e a Polícia Federal foi acionada após a identificação de verbas federais entre os valores movimentados.

COMO O ESQUEMA FOI DESCOBERTO

O servidor investigado ocupava a função de tesoureiro havia aproximadamente quatro anos.
A administração municipal informou que as inconsistências foram detectadas na última semana durante a análise de transferências internas de recursos da saúde, o que motivou o afastamento imediato do funcionário.

Segundo o prefeito Zé Wellington (PL), o tesoureiro admitiu ter utilizado parte das verbas públicas em plataformas online de apostas.
A versão de que teria agido sozinho, porém, ainda é apurada — a existência de outros envolvidos não está descartada.

INVESTIGAÇÕES E ÓRGÃOS ACIONADOS

A prefeitura comunicou o caso à Polícia Civil, ao Ministério Público, à Câmara Municipal e ao Tribunal de Contas de Rondônia, que deverá realizar auditorias nos repasses da saúde e em outras áreas da administração.

Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi instaurado para apurar responsabilidades na esfera administrativa.

Paralelamente, a Câmara Municipal informou que pretende solicitar:
  • prisão preventiva do investigado;
  • quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico;
  • identificação de eventuais cúmplices;
  • levantamento do prejuízo final aos cofres públicos;
  • convocação de testemunhas.
As linhas de investigação incluem a análise de movimentações financeiras suspeitas e a possibilidade de uso de contas pessoais e de terceiros para ocultação dos valores desviados.

IMPACTO PARA O MUNICÍPIO E PARA A ÁREA DA SAÚDE

Como São Francisco do Guaporé depende majoritariamente de repasses federais e estaduais para manter sua estrutura de saúde, o desvio de recursos pode ter provocado:
  • atraso em pagamentos;
  • prejuízo em compras públicas;
  • risco à manutenção de serviços essenciais;
  • fragilidade nos mecanismos de controle interno.
Órgãos de fiscalização avaliam se falhas estruturais contribuíram para que o esquema se prolongasse sem detecção imediata.

O QUE DIZ A PREFEITURA

Em nota oficial, a gestão municipal afirma que o servidor foi exonerado do cargo comissionado, afastado das funções efetivas e que “não compactua com irregularidades”.
A prefeitura declarou compromisso com a responsabilização de todos os envolvidos após a conclusão das investigações e garantiu transparência no processo.
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