Ação civil pública aponta enriquecimento ilícito e desvio de recursos destinados à Associação Sol Nascente
Porto Velho, Rondônia - O Ministério Público de Rondônia ingressou com uma ação civil pública por improbidade administrativa e corrupção empresarial que mira o presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE/RO), Alex Redano (Republicanos), a prefeita de Ariquemes, Carla Redano (União Brasil), e o diretor-geral da Casa, Rogério Gago da Silva. Também foram incluídos como réus Luciano da Silva Paixão, Cristiele Santos de Castro, Luciene Pereira Queiroz Martins e a Associação Sol Nascente, acusada de ser o centro do esquema investigado.
Segundo o MP, o grupo teria atuado em um suposto desvio, apropriação e dilapidação de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, incluindo indicações feitas pelo próprio Redano.
ASSOCIAÇÃO SEM ESTRUTURA E POSSÍVEL USO POLÍTICO
A Sol Nascente foi criada com fins sociais, mas, de acordo com a investigação, funcionaria apenas no papel:
- não tinha sede operacional;
- não possuía funcionários;
- não executava projetos compatíveis com seus objetivos estatutários.
SEDE FICTÍCIA E DEPOIMENTO QUE CONTRADIZ DOCUMENTOS
A associação teria sede registrada na Rua Cacoal, em Ariquemes, exatamente no imóvel pertencente a Lourdes Gago, mãe do diretor-geral da ALE, Rogério Gago.
Em depoimento ao MP, Lourdes afirmou:
- que nunca soube da existência de uma associação no local;
- que nunca viu movimentação relacionada à entidade;
- que à época o filho era apenas vendedor de carros usados.
FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS E SIMULAÇÃO DE DIRETORIA
A denúncia sustenta que houve uma tentativa de mascarar o controle da entidade:
A denúncia sustenta que houve uma tentativa de mascarar o controle da entidade:
- cartas de renúncia da diretoria teriam sido falsificadas;
- assinaturas apresentadas como renúncias não foram reconhecidas pelos supostos autores;
- Rogério Gago teria assumido a presidência da entidade, junto com Bianca Gago (tesouraria) e Valéria Gago (vice).
EMENDAS PARLAMENTARES E BENEFICIAMENTO DIRECIONADO
Logo no início da atuação formal, a Sol Nascente começou a receber recursos públicos — inclusive emendas assinadas por Alex Redano.
Um trecho da ação destaca:
“A emenda estampa o escancarado e direcionado beneficiamento perpetrado por Alex Redano em favor de sua entidade.”
O MP argumenta que a associação não possuía condições mínimas para receber dinheiro público e que, na prática, teria sido utilizada para um projeto político-familiar.
PEDIDO DE EXTINÇÃO DA ASSOCIAÇÃO
Considerando o conjunto de indícios, a promotoria pediu a extinção da entidade com base na Lei Anticorrupção, afirmando que a Sol Nascente foi usada exclusivamente para desviar recursos públicos.
O processo tramita há seis anos e meio e estaria se aproximando do prazo prescricional.
USO DO CARGO PARA DESTINAR RECURSOS
O MP afirma que Alex Redano teria utilizado sua posição pública para direcionar verbas a uma entidade que, embora formalmente nas mãos de terceiros, lhe pertenceria de fato.
A ação pede:
- condenação dos réus por improbidade administrativa;
- responsabilização financeira por eventuais danos ao erário;
- aplicação de sanções previstas em lei.