Mulheres representam quase 85% das responsáveis familiares que recebem o Bolsa Família no Brasil - Foto: Elza Fiuza /Agência Brasil (Alô Rondônia)

Pesquisa indica que programa não reduz participação feminina, exceto entre mães com filhos pequenos
Porto Velho, Rondônia – Um estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu que o Bolsa Família não provoca redução na participação das mulheres no mercado de trabalho. A exceção ocorre entre mães com filhos de até seis anos, cuja menor presença profissional está associada principalmente às responsabilidades domésticas e ao cuidado com as crianças.
A pesquisa analisa os impactos sociais e econômicos do programa e reforça que a transferência de renda não funciona como desestímulo ao emprego feminino.
RESPONSABILIDADES DOMÉSTICAS PESAM MAIS
De acordo com o levantamento, as mulheres dedicam, em média, dez horas a mais por semana ao trabalho doméstico não remunerado em comparação aos homens. Esse fator é apontado como principal motivo para a redução da participação feminina no mercado após o nascimento dos filhos.
Segundo o FMI, cerca de metade das mulheres deixa o emprego até dois anos depois do nascimento do primeiro filho, evidenciando que o desafio está mais ligado à divisão de tarefas e à ausência de políticas de apoio à maternidade do que ao benefício social em si.
IMPACTO ECONÔMICO DA PARTICIPAÇÃO FEMININA
O estudo destaca que ampliar a presença das mulheres na força de trabalho pode impulsionar o crescimento econômico do país. Caso a diferença de participação entre homens e mulheres – atualmente em torno de 20 pontos percentuais – seja reduzida para 10 pontos até 2033, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia crescer até meio ponto percentual adicional.
Além disso, o levantamento aponta que quase 85% das famílias beneficiárias do Bolsa Família são chefiadas por mulheres, o que reforça o papel feminino na administração dos recursos domésticos e na organização financeira familiar.
SOLUÇÕES APONTADAS PELO FMI
Entre as medidas recomendadas pelo estudo estão:
- Ampliação do acesso a creches públicas;
- Incentivo à formalização e ao trabalho remunerado;
- Redução das desigualdades salariais entre homens e mulheres;
- Políticas que facilitem a conciliação entre maternidade e atividade profissional.
Para o organismo internacional, o fortalecimento dessas políticas pode gerar efeitos positivos tanto na inclusão social quanto no desempenho econômico do país.
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