Trump vai do alinhamento ao bolsonarismo à reaproximação com Lula no primeiro ano do novo mandato

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Trump vai do alinhamento ao bolsonarismo à reaproximação com Lula no primeiro ano do novo mandato

Donald Trump e Lula em encontro diplomático que marcou a retomada do diálogo bilateral - Foto: Ricardo Stuckert/PR (Alô Rondônia)

Tarifaço, sanções e Lei Magnitsky marcaram início tenso; encontro na ONU abriu caminho para recuo e diálogo bilateral

Porto Velho, Rondônia – Do tarifaço ao convite para discutir a paz no Oriente Médio, o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump à frente dos Estados Unidos foi marcado por uma virada brusca na relação com o Brasil. A gestão, iniciada em 20 de janeiro de 2025, começou com ataques ao Brics, alinhamento ao bolsonarismo e sanções, mas terminou com reaproximação diplomática após encontros com Luiz Inácio Lula da Silva.

DO TARIFAÇO AO CONFRONTO INSTITUCIONAL

No início do mandato, Trump afirmou que “não precisava do Brasil”, criticou a articulação do Brics por uma moeda comum e saiu em defesa de Jair Bolsonaro, então preso em Brasília. Em julho, ordenou um tarifaço que elevou sobretaxas a 40% e 50% sobre aço, carnes, produtos do agro e bens industriais, alegando “emergência econômica” e acusando o Judiciário brasileiro de perseguição política.

As medidas atingiram em cheio a parceria comercial: em setembro de 2025, as exportações brasileiras aos EUA caíram até 20% na comparação anual, segundo dados oficiais. Do outro lado, consumidores americanos sentiram o impacto: o preço médio do café subiu mais de 40% nos primeiros nove meses do ano, conforme levantamento do Bureau of Labor Statistics.

LEI MAGNITSKY E ESCALADA DA TENSÃO

O auge da crise veio com a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, do STF, em julho. Houve bloqueio de ativos e restrições financeiras ao ministro e familiares. A decisão aprofundou o desgaste diplomático e institucional entre os países.

MUDANÇA DE RUMO APÓS A ONU

A guinada começou em setembro, após um encontro rápido entre Trump e Lula nos corredores da Organização das Nações Unidas, em Nova York. Pouco depois, uma reunião oficial abriu espaço para negociações técnicas entre as áreas de Fazenda e Comércio. Sob pressão de empresários americanos preocupados com efeitos inflacionários, a Casa Branca iniciou um recuo.

Em novembro, a maior parte das sobretaxas foi suspensa ou praticamente zerada, com exceções ampliadas para carne bovina, café, suco de laranja e aeronaves da Embraer. Em dezembro, Lula afirmou: “Estamos bem, não há por que ter divergência”, destacando diferenças entre o discurso público e o trato pessoal de Trump.

SANÇÕES REVOGADAS E AGENDA GLOBAL

No fim do ano, as sanções a Moraes foram revogadas e o ministro deixou a lista da Lei Magnitsky. Washington também convidou Lula para integrar um “conselho de paz” voltado a conflitos internacionais, incluindo Gaza — movimento que recolocou o Brasil no radar diplomático dos EUA.

ALINHAMENTO NÃO AUTOMÁTICO

A reaproximação, contudo, não significou alinhamento irrestrito. Lula criticou intervenções militares dos EUA na região e, na OEA, o Brasil classificou como sequestro a captura de Nicolás Maduro. Paralelamente, a política migratória americana seguiu dura: em 2025, 37 voos deportaram 3.200 brasileiros — quase o dobro de 2024.
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