“Trump quer criar nova ONU”, diz Lula ao criticar Conselho de Paz proposto pelos EUA

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“Trump quer criar nova ONU”, diz Lula ao criticar Conselho de Paz proposto pelos EUA

Lula critica proposta dos EUA e defende multilateralismo durante encerramento do Encontro Nacional do MST - Foto: Ricardo Stuckert (Alô Rondônia)

Presidente denuncia avanço do unilateralismo e defende fortalecimento do multilateralismo durante encontro do MST na Bahia

Porto Velho, Rondônia — Durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, nesta sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o mundo vive um momento crítico, marcado pelo enfraquecimento do multilateralismo e pelo avanço de decisões unilaterais de grandes potências. Lula criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho de Paz, interpretando a iniciativa como uma tentativa de estabelecer uma “nova ONU”.

CRÍTICAS À PROPOSTA DE TRUMP

Para o presidente brasileiro, a proposta norte-americana contraria princípios históricos de governança global.
“Está prevalecendo a lei do mais forte. A carta da ONU está sendo rasgada. Em vez de corrigir a ONU com a entrada de novos países no Conselho de Segurança, como México, Brasil e nações africanas, o presidente Trump quer criar uma nova ONU, na qual ele seria o dono”, declarou Lula.

O Conselho de Paz seria responsável por supervisionar as ações do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), iniciativa que Trump convidou Lula a integrar.

ARTICULAÇÃO COM LÍDERES MUNDIAIS

Lula afirmou estar dialogando com diversos chefes de Estado sobre o tema, incluindo o presidente da China, Xi Jinping; o da Rússia, Vladimir Putin; o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.
“Quero evitar que o multilateralismo seja jogado ao chão e que predomine a força da arma e da intolerância”, destacou.

CRÍTICAS À AÇÃO DOS EUA NA VENEZUELA

O presidente voltou a mencionar a operação norte-americana que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.
“Não consigo acreditar no que ocorreu na Venezuela. Entraram no forte e levaram Maduro embora. É falta de respeito à integridade territorial de um país. A América do Sul é um território de paz”, afirmou.

Lula reforçou que o Brasil não tem preferências automáticas nas relações internacionais, rejeitando alinhamentos automáticos.
“Não vamos voltar a ser colônia para ninguém mandar na gente”, afirmou.

DEFESA DA PAZ, DO DIÁLOGO E DA DEMOCRACIA

O presidente também criticou o discurso bélico de Trump e afirmou que a política deve ser conduzida pelo convencimento, pela diplomacia e pelo exercício democrático.
“Não quero fazer guerra armada com nenhum país. Quero fazer guerra com argumentos, com narrativas, mostrando que a democracia é imbatível”, declarou. “Não queremos mais Guerra Fria, não queremos mais Gaza.”

ENCONTRO DO MST DESTACA AGENDA SOCIAL E AMBIENTAL

O evento, que marcou os 42 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, reuniu mais de 3 mil participantes de todo o país. Durante cinco dias, delegações discutiram temas como reforma agrária, agroecologia, agricultura familiar, conjuntura política, desafios globais e soberania dos povos.

Ao final do encontro, o MST entregou ao presidente uma carta com posicionamentos políticos, críticas ao imperialismo e defesa dos bens comuns — como petróleo, minérios e florestas — e reafirmou princípios de luta pela reforma agrária popular, justiça social e solidariedade internacional.
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