Promoção do estado foi fortalecida por meio dos eventos Rondônia Day - Foto: Reprodução Internet (Alô Rondônia)
Estado lidera ranking de apoio a negócios inovadores, tem a 2ª menor taxa de desemprego e 3ª melhor projeção do PIB — porém enfrenta gargalos estruturais, desigualdade regional e dependência do agronegócio
Porto Velho, Rondônia – Nos últimos anos, Rondônia tem sido citado como um dos estados mais dinâmicos do país em termos de crescimento econômico. Entre 2019 e 2025, o governo estadual acumulou indicadores positivos: 2ª menor taxa de desemprego do Brasil, liderança em apoio a negócios inovadores, recordes de exportação e projeções favoráveis para expansão do Produto Interno Bruto (PIB).
Mas, apesar do discurso oficial otimista, economistas e especialistas em desenvolvimento regional chamam atenção para o outro lado da moeda: a economia rondoniense cresce, mas ainda esbarra em problemas históricos de infraestrutura, dependência do agronegócio, baixa industrialização e forte desigualdade entre capital e interior.
CRESCIMENTO EXPRESSIVO, MAS CONCENTRADO
O governo celebra a atração de R$ 13 bilhões em investimentos e o salto de exportações — que passaram de 41 destinos, em 2019, para 120 em 2025.
Porém, grande parte desse desempenho continua altamente concentrado no agronegócio, especialmente carne bovina, soja e café. Para especialistas, o avanço é positivo, mas não resolve distorções estruturais:
- Pouca industrialização;
- Fragilidade logística;
- Baixa diversificação da matriz produtiva;
- Dependência de commodities sujeitas a variações internacionais.
A liderança em “apoio a negócios inovadores” também precisa ser relativizada. Embora o Hub.RO tenha atendido 30 mil empreendedores, muitos ainda enfrentam dificuldade de acesso a crédito, mentoria técnica e ambiente regulatório competitivo para consolidar negócios tecnológicos fora da capital.
Guias de Oportunidades mostram potencial econômico dos municípios, mas desafios locais ainda persistem - Foto: Reprodução Internet (Alô Rondônia)
EMPREGO EM ALTA
O estado realmente apresenta uma das menores taxas de desemprego do país, segundo dados oficiais. Entretanto, a qualidade das vagas ainda é tema de debate.
A informalidade segue acima de 50% da força de trabalho em boa parte do interior — o que significa renda instável, baixa proteção trabalhista e pouca contribuição para o sistema previdenciário.
Além disso, muitos cursos de capacitação ofertados pela Sedec ainda não suprem a demanda por mão de obra qualificada em setores estratégicos, como tecnologia, logística avançada e agroindústria.
INVEST RONDÔNIA E EXPANSÃO INTERNACIONAL
O governo destaca que o programa Invest Rondônia elevou a visibilidade do estado em rodadas de negócios e feiras internacionais, impulsionando exportações e atraindo missões empresariais.
Mas representantes do setor privado relatam morosidade na liberação de licenças, falta de infraestrutura logística e carência de parques industriais competitivos, fatores que podem limitar a entrada de empresas de maior porte.
GEOINTELIGÊNCIA COMO VITRINE
A plataforma de Geointeligência, premiada em eventos nacionais e internacionais, de fato melhora a tomada de decisão em políticas públicas e atrativos econômicos.
Entretanto, muitos municípios ainda carecem de:
- Equipes técnicas preparadas para interpretar os dados;
- Conectividade adequada para uso contínuo das ferramentas;
- Planos municipais de desenvolvimento alinhados aos diagnósticos estaduais.
PROAMP CRESCE, MAS MICROEMPREENDEDORES APONTAM DIFICULDADES
O Proampe aprovou mais de R$ 230 milhões em microcrédito entre 2021 e 2025. Apesar dos números positivos, microempreendedores relatam:
- Gargalos no atendimento;
- Demora nas análises;
- Dificuldades de pagamento após a pandemia;
- Juros que, embora reduzidos, ainda pesam para quem atua com margem baixa.
De 2023 a 2025, feiras de empreendedores ganharam força, mas setor cobra políticas permanentes e maior apoio estruturado - Foto: Reprodução Internet (Alô Rondônia)
FEIRAS DE EMPREENDEDORES
As mais de 50 feiras realizadas ajudam a movimentar pequenos negócios e valorizar a cultura local. Porém, para setores ligados à economia criativa, falta:
- Linha permanente de crédito específica;
- Política estruturada de comercialização;
- Apoio à formação de cooperativas;
- Integração com rotas turísticas e economia noturna.
Rondônia avança e os números mostram isso. Mas avançar não significa resolver.
A economia cresce, mas ainda de forma concentrada.
Há inovação, mas ainda com pouca profundidade.
O emprego aumenta, mas com informalidade elevada.
A exportação dispara, mas segue dependente de poucas commodities.
Para especialistas, o desafio da próxima etapa não é apenas mostrar indicadores positivos, mas garantir que o desenvolvimento alcance a vida real da população, especialmente no interior profundo.
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