“A população não merece médico mal formado”, diz presidente do CFM

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“A população não merece médico mal formado”, diz presidente do CFM

Presidente do CFM, José Hiran Gallo, alerta para riscos à população diante do baixo desempenho de cursos de Medicina no país – Foto: Reprodução (ALÔ RONDÔNIA)

José Hiran Gallo afirma que país vive “cenário gravíssimo” na formação médica; FIMCA, Afya, Metropolitana e UNINASSAU Vilhena ficaram com conceitos 1 e 2

Porto Velho, Rondônia – A divulgação do resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acendeu um alerta no setor da saúde e provocou forte reação do Conselho Federal de Medicina (CFM). Quatro instituições de Rondônia foram reprovadas na avaliação, reacendendo o debate sobre a qualidade da formação médica no estado e no país.

ENSINO MÉDICO EM CRISE

Em entrevista ao TMC, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, conselheiro federal por Rondônia, classificou os resultados como “críticos” e disse que a população está sendo exposta a riscos concretos.

“A população brasileira não merece médico mal formado. O dado é grave e revela uma radiografia preocupante do ensino médico.” - José Hiran Gallo, presidente do CFM

O levantamento, divulgado pelo MEC e pelo Inep na segunda-feira (19), identificou 107 cursos reprovados, por terem desempenho classificado nos conceitos 1 e 2.

QUATRO CURSOS DE RONDÔNIA TIVERAM DESEMPENHO INSATISFATÓRIO

No estado, quatro instituições ficaram abaixo da faixa considerada satisfatória:

• FIMCA – Centro Universitário Aparício Carvalho (Porto Velho) – conceito 2

• Afya Centro Universitário (Porto Velho) – conceito 2

• Faculdade Metropolitana (UNNESA – Porto Velho) – conceito 1

• UNINASSAU Vilhena (Cone Sul) – conceito 2

O Enamed considera, entre outros fatores, a proporção de estudantes concluintes que atingem o desempenho mínimo esperado.

Para Hiran Gallo, a situação exige respostas urgentes.

“A população vai ficar em risco quando essas pessoas receberem seu CRM e estiverem inaptas para atender. O CFM não pode aceitar isso.

CFM DEFENDE EXAME NACIONAL OBRIGATÓRIO PARA EGRESSOS

Ao comentar o cenário, Gallo voltou a defender a criação de um exame de proficiência obrigatório, nos moldes da prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como requisito para exercício da medicina.

“O egresso tem que ser submetido a uma prova para saber se está qualificado. É uma questão de responsabilidade com a vida.”

Segundo o presidente do CFM, o problema se agrava com a expansão acelerada de escolas particulares sem fiscalização adequada.

Entre os reprovados:
  • 17 dos 24 cursos com conceito 1 são privados
  • 72 dos 83 cursos com conceito 2 também pertencem à rede privada
AUTORIZAÇÃO DE NOVOS CURSOS: GESTÕES ACUMULAM RESPONSABILIDADE

Hiran Gallo também atribuiu parte do problema à política de expansão desordenada de vagas ao longo dos últimos anos.

“O MEC autoriza os cursos. Houve aumento indiscriminado de vagas sem avaliação adequada. Essa omissão vem de governo a governo.”

O dirigente ainda citou tentativas de instituições privadas de impedir, judicialmente, a divulgação dos resultados. Ele elogiou o MEC e o Judiciário pela manutenção da transparência.

E AGORA? O QUE ACONTECE COM OS CURSOS REPROVADOS?

Apesar de reconhecer o valor do Enamed como instrumento de diagnóstico, Gallo cobrou medidas efetivas após a divulgação dos resultados:

“Agora tem que vir a consequência. O que vai acontecer com as escolas que tiveram rendimento pífio? Essa é a pergunta.”

O MEC ainda não anunciou quais ações administrativas ou regulatórias serão adotadas.
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