Preço médio das passagens aéreas cai 20% em novembro

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Preço médio das passagens aéreas cai 20% em novembro

Avião da Azul Linhas Aéreas decola do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil (Alô Rondônia)

Governo atribui queda ao menor custo do combustível e à concorrência, mas especialistas ponderam limites do impacto no bolso do consumidor

Porto Velho, Rondônia – O preço médio das passagens aéreas no Brasil registrou queda de 20% em novembro, segundo levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na comparação anual, o valor médio passou de R$ 758,87 em 2024 para R$ 607,85 em 2025, indicando um recuo relevante no custo das viagens nacionais.

Apesar do percentual expressivo, o dado levanta questionamentos sobre a sustentabilidade dessa redução e se ela, de fato, alcança a maioria dos passageiros ao longo do ano, especialmente em períodos de alta demanda.

COMBUSTÍVEL E DISCURSO OFICIAL

De acordo com o ministro Silvio Costa Filho, a principal explicação para a queda está na redução do custo do querosene de aviação (QAV), que representa cerca de 35% das despesas das companhias aéreas. Segundo ele, a política adotada pelo ministério, em articulação com a Petrobras, contribuiu para aliviar os custos operacionais das empresas.

O argumento, no entanto, não elimina a crítica recorrente de que nem sempre a redução de custos se converte proporcionalmente em preços mais baixos, sobretudo em rotas com menor concorrência ou forte concentração de mercado.

QUEM REALMENTE PAGOU MENOS

Os dados mostram que, em 2025, 28,2% das passagens foram vendidas por valores inferiores a R$ 300, enquanto apenas 6% superaram R$ 1.500. Em 2024, o cenário era mais desfavorável ao consumidor: 10% dos bilhetes ultrapassavam R$ 1.500 e 17% custavam até R$ 300.

Embora os números indiquem uma melhora no acesso às tarifas mais baratas, especialistas alertam que essas passagens costumam estar concentradas em datas específicas, horários menos atrativos ou rotas altamente disputadas, o que limita o alcance real do benefício.

CONCORRÊNCIA EM ALTA, DESAFIOS ANTIGOS

Para o secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, o cenário reflete um aumento da competitividade no setor aéreo brasileiro. Segundo ele, o estímulo a investimentos e a atração de novas empresas ampliam a oferta e pressionam os preços para baixo.

Ainda assim, o setor convive com desafios estruturais persistentes, como infraestrutura aeroportuária desigual, concentração de voos em grandes centros e custos elevados em aeroportos regionais — fatores que seguem pesando no preço final das passagens para boa parte da população.

QUEDA PONTUAL OU TENDÊNCIA?

A redução registrada em novembro é vista como positiva, mas analistas defendem cautela antes de tratá-la como tendência consolidada. A volatilidade do preço do combustível, a taxa de câmbio e o comportamento da demanda seguem como variáveis capazes de reverter rapidamente o cenário, especialmente em períodos de férias e feriados prolongados.
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