PF, Funai e Ibama intensificam repressão ao garimpo ilegal no Rio Guaporé, mas ação expõe avanço criminoso em área indígena

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PF, Funai e Ibama intensificam repressão ao garimpo ilegal no Rio Guaporé, mas ação expõe avanço criminoso em área indígena

Draga foi inutilizada por agentes federais dentro da Terra Indígena Rio Guaporé durante operação de repressão ao garimpo ilegal - Foto: Polícia Federal (Alô Rondônia)

Draga usada para extração clandestina de diamantes é inutilizada; operações pontuais levantam questionamentos sobre controle efetivo da região

Porto Velho, Rondônia – A Polícia Federal, em parceria com a Funai e o Ibama, deflagrou nesta semana a Operação Baía das Onças, ação que mirou o garimpo ilegal no Rio Guaporé, área de fronteira entre Brasil e Bolívia e alvo histórico de exploração criminosa. As diligências foram realizadas entre os dias 26 e 28 de janeiro dentro da Terra Indígena Rio Guaporé, onde agentes identificaram e inutilizaram uma draga usada para extração clandestina de diamantes.

A operação, embora relevante, evidencia novamente a dificuldade do Estado em manter presença permanente numa das regiões mais vulneráveis da Amazônia rondoniense, marcada por conflitos ambientais, atuação de garimpeiros e circulação transfronteiriça de criminosos. A cada nova ação repressiva, volta à pauta o debate sobre a falta de monitoramento contínuo e a capacidade limitada de impedir o retorno das atividades ilegais.

DRAGA LOCALIZADA EM ÁREA DE GARIMPO ATIVO

As equipes federais localizaram uma draga operacional — equipamento de grande porte, geralmente usado para escavar o leito dos rios e separar minerais de alto valor — atuando clandestinamente dentro da terra indígena. O maquinário foi inutilizado, seguindo protocolo aplicado em operações ambientais para impedir reativação rápida pelos garimpeiros.

A prática, comum em áreas de proteção, costuma gerar repercussões políticas e econômicas, mas é considerada fundamental por órgãos ambientais diante da reincidência de criminosos e do impacto severo causado pela destruição de margens, assoreamento e contaminação dos rios.

COMUNIDADES INDÍGENAS SÃO AS PRIMEIRAS AFETADAS

As aldeias Ricardo Franco e Baía das Onças participaram de ações educativas conduzidas pela PF com apoio da Funai. A corporação apresentou informações sobre crimes ambientais, defesa territorial e riscos impostos pela presença de garimpeiros.


Apesar disso, lideranças indígenas há anos alertam que operações esporádicas não são suficientes para conter a invasão de dragas e o avanço de grupos que atuam com logística estruturada, muitas vezes financiados por redes de contrabando de minérios.

FISCALIZAÇÃO PONTUAL X PRESENÇA PERMANENTE

O governo federal tem reforçado ações integradas na região, mas a extensão territorial da fronteira e a limitação de efetivo dos órgãos de fiscalização continuam sendo desafios críticos. Entre especialistas, a avaliação é de que ações como a Baía das Onças são necessárias, porém não resolvem o problema estrutural: a ausência do Estado em regiões onde o garimpo ilegal se torna economicamente mais forte que a própria presença institucional.
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