Governo de RO anuncia documentos escolares online, mas serviço ainda enfrenta limites e demora

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Governo de RO anuncia documentos escolares online, mas serviço ainda enfrenta limites e demora

Portal do Cidadão centraliza pedidos de documentos escolares, mas processo ainda depende de trâmites internos nas escolas - Foto: Izaias Silva (Alô Rondônia)

Solicitação digital pelo Portal do Cidadão promete praticidade, porém prazo de até 30 dias e dependência das escolas expõem gargalos antigos

Porto Velho, Rondônia – O governo de Rondônia passou a divulgar como avanço na transformação digital a possibilidade de solicitar históricos e certificados escolares pela internet, por meio do Portal do Cidadão. O serviço, batizado de Certificado Escolar Estadual de Rondônia, foi disponibilizado a partir de 9 de janeiro, fruto de parceria entre a Secretaria de Estado da Educação e a Superintendência Estadual de Tecnologia da Informação e Comunicação.

Na prática, porém, a novidade levanta questionamentos sobre o real alcance da digitalização anunciada, já que o processo continua dependendo de trâmites internos nas escolas e pode levar até 30 dias para ser concluído — prazo considerado elevado para um serviço que se apresenta como ágil e moderno.

DIGITALIZAÇÃO PARCIAL, NÃO TOTAL

Embora o pedido seja feito online, o procedimento ainda exige que a Seduc encaminhe a solicitação à escola de origem para coleta de assinaturas e validação. Ou seja, o serviço não é integralmente digital, mantendo etapas burocráticas que historicamente atrasam a entrega de documentos.

Para estudantes que precisam de certificados com urgência — seja para matrícula em universidades, concursos ou processos seletivos —, o tempo de espera segue sendo um obstáculo relevante.

ACESSO ONLINE NÃO ELIMINA DESIGUALDADES

O governo destaca que o serviço pode ser acessado de qualquer lugar, inclusive fora do estado ou do país. No entanto, a dependência de conta ativa no gov.br, acesso à internet estável e envio correto de documentação exclui parte da população, especialmente ex-alunos mais antigos, moradores da zona rural ou pessoas com baixo letramento digital.

Além disso, a própria Seduc reconhece que o atendimento presencial continua sendo necessário em diversos casos, o que relativiza o discurso de “fim do deslocamento”.

PROMESSA DE LINGUAGEM SIMPLES, EXECUÇÃO COMPLEXA

A iniciativa é apresentada como alinhada à chamada Linguagem Simples, prevista na Lei nº 15.263/2025. Apesar disso, usuários relatam que orientações fragmentadas, exigências documentais e falta de retorno claro sobre o andamento do pedido ainda são comuns em serviços educacionais do estado.

Na prática, a clareza anunciada nem sempre se reflete na experiência do cidadão.

AVANÇO NECESSÁRIO, MAS TARDIO

A disponibilização de documentos escolares online é um passo esperado — e atrasado — em um cenário em que serviços semelhantes já funcionam há anos em outros estados. O anúncio, embora positivo, não resolve problemas estruturais da gestão educacional, como acervos escolares desorganizados, falta de padronização entre unidades e escassez de servidores administrativos.

ENTRE O DISCURSO E A REALIDADE

A digitalização dos documentos escolares representa um avanço pontual, mas ainda distante do modelo eficiente e imediato propagado pelo governo. Enquanto prazos longos e etapas manuais persistirem, a promessa de praticidade seguirá limitada.

Modernizar não é apenas criar um botão online — é garantir rapidez, autonomia e resposta efetiva ao cidadão.
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