Governo de RO amplia investimentos no trânsito, mas resultados efetivos ainda são questionados

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Governo de RO amplia investimentos no trânsito, mas resultados efetivos ainda são questionados

Ações educativas e de fiscalização do Detran-RO fazem parte do pacote de investimentos anunciados pelo governo - Foto: Secom/Governo de Rondônia (Alô Rondônia)

Gestão do Detran-RO destaca modernização e mais de R$ 102 milhões aplicados entre 2019 e 2025; especialistas e usuários cobram redução consistente de mortes, fiscalização permanente e serviços mais eficientes

Porto Velho, Rondônia – O governo de Rondônia divulgou um balanço positivo das ações do Departamento Estadual de Trânsito de Rondônia, apontando investimentos superiores a R$ 102 milhões entre 2019 e 2025, com foco em modernização tecnológica, reformas estruturais, educação para o trânsito e fiscalização. Apesar do volume expressivo de recursos, os números reacendem um debate central: os investimentos estão, de fato, salvando vidas e melhorando o trânsito no dia a dia da população?

O discurso institucional sustenta uma mudança de cultura e a humanização do trânsito. Na prática, motoristas e pedestres ainda relatam acidentes frequentes, imprudência recorrente e fiscalização irregular, especialmente fora dos grandes centros.

INVESTIMENTO ALTO, IMPACTO DESIGUAL

Para o governador Marcos Rocha, o período representa um avanço na proteção à vida e na eficiência dos serviços. O problema, apontam especialistas em mobilidade urbana, é que modernização administrativa nem sempre se traduz em segurança viária real, sobretudo quando ações educativas e fiscalizatórias não têm continuidade.

Embora o governo destaque redução de sinistros sem vítimas fatais em alguns recortes, os dados ainda são considerados pontuais, insuficientes para afirmar uma mudança estrutural no comportamento do trânsito rondoniense.

OBRAS E CIRETRANS: CONFORTO INTERNO, MAS FILAS EXTERNAS

Reformas e construções de Ciretrans em municípios como Guajará-Mirim, Alta Floresta d’Oeste e Costa Marques consumiram cerca de R$ 8 milhões. As unidades ganharam melhor estrutura física, mas usuários seguem reclamando de demora em processos, dificuldade de agendamento e falhas no atendimento, especialmente no interior.

A modernização predial melhorou ambientes internos, mas não resolveu gargalos históricos de gestão e fluxo de serviços.

SINALIZAÇÃO E EQUIPAMENTOS: ONDE ESTÁ A FISCALIZAÇÃO?

Convênios de sinalização somaram milhões em cidades como Porto Velho, Ji-Paraná, Ariquemes e Jaru. No papel, os valores impressionam. Nas ruas, porém, moradores apontam que placas e pinturas viárias não inibem infrações sem fiscalização constante.

A crítica recorrente é clara: o Estado investe, mas não mantém presença contínua, o que reduz drasticamente a efetividade das ações.

EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO: MUITO EVENTO, POUCA MUDANÇA?

A Escola Pública de Trânsito soma mais de 4 milhões de atendimentos em sete anos e Rondônia liderou o Maio Amarelo 2025, com mais de mil ações. O resultado rende visibilidade nacional, mas especialistas alertam que campanhas concentradas em um mês não substituem políticas permanentes.

O trânsito segue violento, e a sensação de insegurança persiste, especialmente para motociclistas e pedestres.

TECNOLOGIA AVANÇA, COMPORTAMENTO NÃO ACOMPANHA

OCR, bafômetros modernos, autuação eletrônica e sistemas digitais representam avanços inegáveis. Ainda assim, o principal fator de acidentes continua sendo comportamento humano, algo que tecnologia sozinha não corrige.

Sem fiscalização firme e punição efetiva, a inovação vira ferramenta subutilizada.

INCLUSÃO E PROGRAMAS SOCIAIS: AVANÇO LIMITADO

A CNH Social e a CNH Sem Barreiras ampliaram o acesso à habilitação, mas atenderam apenas 1.500 pessoas em um estado com grande demanda reprimida. A inclusão existe, porém em escala muito inferior à necessidade real.

ARRECADAÇÃO ALTA, RETORNO COBRADO

Entre 2019 e 2025, o Detran-RO repassou R$ 477 milhões ao estado. O volume reforça a importância do órgão para os cofres públicos, mas também aumenta a cobrança social: se o cidadão paga caro, espera um trânsito mais seguro, fluido e justo.

BALANÇO CRÍTICO

O Detran-RO avançou em tecnologia, estrutura e digitalização. Isso é fato. O que ainda não está claro é se esses avanços mudaram de forma consistente a realidade das ruas. Sem redução expressiva de mortes, fiscalização contínua e políticas permanentes, o risco é que os investimentos se tornem bons números em relatórios, mas insuficientes para proteger vidas.
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