Com rombo bilionário apontado pelo TCE-RO, rompimentos internos e críticas crescentes, gestão entra em 2026 enfrentando seu momento mais delicado.
Porto Velho, Rondônia – O ano de 2026 começa marcando oficialmente a reta final do governo Marcos Rocha (União Brasil). Restam 365 dias para o encerramento de um ciclo de oito anos à frente do Palácio Rio Madeira, período que termina cercado por cobranças, crises administrativas, desgaste político e uma narrativa cada vez mais crítica por parte da opinião pública e de setores institucionais.
UM GOVERNO LONGO, UM DESFECHO CONTURBADO
Reeleito e com ampla estrutura política ao longo dos dois mandatos, Marcos Rocha teve tempo, capital político e maioria institucional para conduzir a administração estadual. Ainda assim, o governo chega ao último ano sob a percepção generalizada de decisões tardias e de uma gestão que, por muito tempo, transferiu responsabilidades estratégicas a aliados e subordinados.
Agora, na fase final, a caneta voltou com força total para as mãos do governador — mas o custo político já está imposto.
ROMBO BILIONÁRIO AUMENTA A PRESSÃO
Relatório recente do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) aponta um déficit financeiro que gira em torno de R$ 1 bilhão, evidenciando fragilidades na condução fiscal e no planejamento orçamentário.
O impacto do rombo extrapola os números: ele se tornou o principal combustível do debate político que deve dominar a eleição estadual de 2026, além de servir como munição para opositores e críticos da atual gestão.
RUPTURA INTERNA E ISOLAMENTO POLÍTICO
Nos últimos dias de 2025, um movimento simbólico chamou atenção: a exoneração dos últimos cargos ligados ao vice-governador Sérgio Gonçalves. Mesmo restritos a postos de terceiro escalão, os cortes selaram um rompimento político que já vinha se desenhando nos bastidores.
A mensagem foi clara: o governo entra em seu último ano totalmente centralizado no governador. Para muitos observadores, no entanto, a iniciativa chegou tarde demais para reposicionar a gestão perante a sociedade.
IMPRENSA SOB TENSÃO E ALIADOS ESCANTEADOS
O fim de mandato também é marcado por relatos de hostilidade à imprensa, críticas públicas a jornalistas e um ambiente de tensão com veículos que adotam postura crítica em relação ao Executivo estadual.
Paralelamente, antigos aliados políticos relatam afastamento gradual, perda de espaço e ausência de diálogo. A leitura nos bastidores é de que o governo tenta reorganizar sua base ao mesmo tempo em que busca redistribuir responsabilidades pelo atual cenário administrativo.
A CANETA SEM TERCEIRIZAÇÃO
Depois de oito anos no comando, o discurso de bastidor se resume a uma constatação incômoda para o próprio governo:
- O poder sempre esteve concentrado no governador;
- As decisões estratégicas passaram por ele;
- E as consequências políticas.
O último ano se transforma, assim, em um espelho das escolhas feitas ao longo do caminho.
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA ENTRA EM MODO ELEITORAL
Enquanto o Executivo enfrenta desgaste, a Assembleia Legislativa vive outro ritmo. Deputados estaduais se organizam para a reeleição com estrutura robusta, orçamento fortalecido e ampla visibilidade.
A cobrança popular, no entanto, cresce: a expectativa é de mais presença no estado, menos viagens e maior conexão com os problemas reais enfrentados pela população rondoniense.
O QUE ESPERAR DOS ÚLTIMOS 365 DIAS
O cenário para 2026 aponta para um ambiente político intenso, marcado por:
- Disputa de narrativas sobre o déficit financeiro;
- Tensão permanente entre governo e imprensa;
- Rearranjos partidários visando a eleição;
- E aumento da cobrança popular por respostas concretas.
Rondônia entra no último capítulo do governo Marcos Rocha com uma certeza: o encerramento desse ciclo não será discreto — e o julgamento político já começou.
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