Campanha “Influ Sangue Bom” mobiliza influenciadores de Rondônia

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Campanha “Influ Sangue Bom” mobiliza influenciadores de Rondônia

Campanha mobiliza influenciadores, mas hemorrede ainda depende de ações emergenciais para manter estoques mínimos - Foto: Daiane Mendonça (Alô Rondônia)

Apesar da ação digital impulsionar doações em janeiro, especialistas apontam que campanhas pontuais não resolvem a instabilidade crônica dos bancos de sangue

Porto Velho, Rondônia – A campanha “Influ Sangue Bom”, lançada pelo governo de Rondônia em janeiro, tem mobilizado influenciadores digitais para reforçar a importância da doação de sangue e tentar amenizar a queda nos estoques da Fhemeron durante o período de férias — um problema que se repete ano após ano.

Apesar dos resultados positivos iniciais, o desafio estrutural permanece: a hemorrede estadual opera com níveis irregulares de abastecimento e depende, frequentemente, de campanhas emergenciais para evitar desabastecimento.

SANGUE SALVA VIDAS, MAS ESTOQUES CONTINUAM INSTÁVEIS

O governo destaca que a campanha uniu solidariedade e comunicação, mas o cenário real mostra que a dependência de ações pontuais revela fragilidades no planejamento contínuo da política de hemoterapia no estado.

Segundo especialistas da área, o aumento sazonal de doações não garante estabilidade ao longo do ano. Cirurgias eletivas, atendimentos oncológicos e emergências demandam fluxo permanente — algo que os hemocentros ainda têm dificuldade de manter sem apelos públicos periódicos.

Após a coleta, o sangue é fracionado em hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado, permitindo que uma bolsa beneficie até quatro pacientes. A necessidade é contínua, mas o ritmo das doações não acompanha o consumo, especialmente nas tipagens O- e O+, mais procuradas.

A FORÇA DAS REDES, O LIMITE DAS CAMPANHAS

A campanha ganhou visibilidade nas redes sociais com influenciadoras como Renata Becaria e Nileve Eduarda, que destacaram o papel dos criadores de conteúdo na mobilização da juventude.

Mas, mesmo com o engajamento, especialistas ponderam que campanhas baseadas em influência digital têm alcance limitado quando não acompanhadas de estratégias permanentes, como:

– ampliação de horários de atendimento
– unidades móveis em regiões periféricas
– programas de fidelização de doadores
– campanhas educativas nas escolas
– reforço logístico e ampliação de equipes da Fhemeron

Sem essas medidas estruturais, a hemorrede volta a enfrentar quedas cíclicas.

VOZES DA POPULAÇÃO: SOLIDARIEDADE É O QUE SUPRE AS LACUNAS

Durante a ação, doadores como Daiana Parente (O+) reforçaram que doar sangue é rápido, seguro e essencial. O gesto individual, porém, não compensa sozinho a falta de políticas de médio e longo prazo.

A assistente social Maria Luiza Pereira também alertou que a necessidade é contínua: “Acidentes, cirurgias e tratamentos não esperam”. O comentário evidencia um ponto sensível: sem estabilidade nos estoques, é comum que hospitais adiem procedimentos ou trabalhem próximos do limite.

UM PROBLEMA QUE SE REPETE TODO JANEIRO

Historicamente, os estoques de sangue caem em janeiro e julho. A campanha surge como resposta emergencial a esse padrão, mas não resolve a raiz do problema: a dependência do voluntariado espontâneo em vez de um programa robusto de fidelização.

Relatórios internos da hemorrede, nos últimos anos, registram falta de doadores recorrentes — justamente o perfil que mantém o abastecimento estável.

O FUTURO DA DOAÇÃO EM RONDÔNIA

A “Influ Sangue Bom” cumpre o papel de aumentar a visibilidade da causa e trazer fluxo imediato. Contudo, para que as doações deixem de ser um esforço emergencial e se tornem rotina, o estado precisa avançar em:

– modernização das unidades
– ampliação do quadro de profissionais
– campanhas mensais e educativas permanentes
– parcerias com escolas, universidades e empresas
– descentralização dos serviços

Sem isso, as campanhas continuarão tendo efeito limitado, e a hemorrede seguirá vulnerável.
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