Braço direito de Haddad, Dario Durigan ganha força como possível próximo ministro da Fazenda

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Braço direito de Haddad, Dario Durigan ganha força como possível próximo ministro da Fazenda

Dario Durigan, secretário-executivo da Fazenda, comanda a pasta interinamente e é apontado como sucessor natural de Haddad - Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda (Alô Rondônia)

Secretário-executivo com perfil técnico e pragmático comanda a pasta interinamente e já é tratado nos bastidores como “ministro de fato”.

Porto Velho, Rondônia –
Cotado como principal nome para suceder Fernando Haddad no comando do Ministério da Fazenda, o advogado Dario Durigan, de 41 anos, consolidou-se nos últimos anos como figura central na condução das políticas econômicas do governo Lula. Atualmente secretário-executivo da pasta, ele lidera o ministério de forma interina durante as férias de Haddad, até o dia 11 de janeiro.

Nos bastidores de Brasília, Durigan é frequentemente chamado de “CEO” do Ministério da Fazenda, em referência ao seu papel de gestor máximo da engrenagem administrativa. É ele quem organiza fluxos internos, centraliza informações, delega tarefas e cobra resultados das diversas secretarias, garantindo que decisões políticas se transformem em ações concretas.

ARTICULAÇÃO INTERNA E CONFIANÇA DO PRESIDENTE

Quando assumiu a secretaria-executiva, em junho de 2023, o ministério ainda enfrentava dificuldades de organização após a separação do antigo superministério da Economia. Apesar de já haver diretrizes definidas por Haddad, havia a percepção de falta de continuidade e de baixa efetividade interna.

Segundo relatos de integrantes da própria pasta e de interlocutores externos, a chegada de Durigan foi decisiva para dar ritmo e coesão à atuação do ministério. Em diversas ocasiões, ele passou a despachar diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que demonstra confiança em suas avaliações e encaminhamentos.

“MINISTRO DE FATO” NOS BASTIDORES

Embora mantenha postura de lealdade a Haddad e evite publicamente disputar o cargo, Durigan é visto por aliados e parlamentares como o responsável por tocar o dia a dia da Fazenda. Mesmo quando lidera negociações complexas no Congresso, costuma dividir os méritos com o ministro e com a equipe técnica.

Durante o terceiro mandato de Lula, o secretário-executivo tornou-se referência entre líderes partidários por seu perfil pragmático e pela clareza ao estabelecer limites para alterações em projetos com impacto fiscal.

CRÍTICAS AO PERFIL DE GESTÃO

Apesar do reconhecimento, a atuação de Durigan também recebe críticas. Um dos pontos mais citados é a baixa presença feminina em sua equipe direta. Dos 32 cargos ligados à sua estrutura imediata, apenas nove são ocupados por mulheres, sendo apenas uma em posição de subsecretária.

Além disso, o estilo de cobrança intensa e prazos curtos gera tensão com parte da burocracia. Ainda assim, técnicos reconhecem que ele mantém diálogo com as áreas e sustenta que a agilidade é necessária para cumprir os ritos legais e viabilizar políticas públicas.

TRAJETÓRIA E EXPERIÊNCIA NO SETOR PÚBLICO

Natural do interior de São Paulo, Durigan é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre pela Universidade de Brasília (UnB). Ingressou na Advocacia-Geral da União (AGU) em 2010 e atuou na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil durante o governo Dilma Rousseff.

Foi nesse período que iniciou sua relação profissional com Haddad, então ministro da Educação. A proximidade se intensificou na Prefeitura de São Paulo, quando Durigan passou a despachar diariamente com o então prefeito.

Após breve passagem pelo setor privado, como diretor de políticas públicas do WhatsApp, retornou ao governo federal em 2023, assumindo a secretaria-executiva da Fazenda após a ida de Gabriel Galípolo para o Banco Central.

PROTAGONISMO NAS PRINCIPAIS PAUTAS ECONÔMICAS

À frente da gestão interna da pasta, Durigan esteve diretamente envolvido em negociações estratégicas, como a reforma tributária do consumo, o imposto mínimo para a alta renda e, mais recentemente, o projeto que reduz benefícios fiscais e aumenta a tributação sobre setores como casas de apostas.

Mesmo enfrentando reveses, como a devolução de medidas provisórias e o desgaste em torno do decreto do IOF, o secretário é apontado como peça-chave para o avanço da agenda econômica do governo e surge como nome natural para assumir definitivamente o ministério caso Haddad deixe o cargo nos próximos meses.
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