Lula e Alcolumbre devem se reunir para tratar da indicação de Jorge Messias ao STF Objetivo e contexto imediato - Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal |
Presidente deve entregar pessoalmente a mensagem ao Senado e buscar reaproximação em meio a tensões políticas.
Porto Velho, RO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir nesta quarta-feira (26) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no Palácio do Planalto, para tentar reduzir o desgaste provocado pela indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro ocorre após sinais de distanciamento entre o governo e a cúpula do Congresso, especialmente após o rompimento de Alcolumbre com o líder governista Jaques Wagner.
Alcolumbre estará no Planalto como convidado da cerimônia de sanção da lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda. Lula pretende aproveitar a ocasião para entregar pessoalmente a mensagem presidencial ao Senado, formalizando a indicação de Messias, atual advogado-geral da União. O envio da mensagem é o passo inicial para a marcação da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Aliados avaliam que a presença de Lula no Brasil, após compromissos na África, é essencial para distensionar o ambiente político. A articulação será reforçada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que também participa da agenda de quarta-feira. A atuação dela é vista como chave para reconstruir a relação com Alcolumbre e conter ruídos entre governo e Congresso.
Pauta-bomba e CPMI podem influenciar clima da reunião
Dois temas sensíveis devem pesar no encontro:
- Aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde, cujo impacto projetado pelo Ministério da Fazenda chega a R$ 40 bilhões em dez anos;
- A possível convocação de Jorge Messias para depor na CPMI do INSS, proposta pelo presidente do colegiado, Carlos Viana, e que será votada na sessão de quinta-feira (27).
- Ambas as decisões dependem, direta ou indiretamente, da condução de Alcolumbre no Senado.
Governo espera sinalização para avançar com prioridades
Nos bastidores, governistas avaliam que a indicação de Messias e outras pautas estratégicas só avançarão se houver um gesto do presidente do Senado demonstrando interesse em pacificar a relação. A expectativa é que o encontro permita retomar o diálogo e evitar novos desgastes na reta final do ano legislativo.
Analistas políticos apontam que a crise atual tem forte componente pessoal, mas lembram que disputas por influência no Senado — especialmente no comando da CCJ, presidida por Alcolumbre — costumam impactar votações estratégicas. Apesar disso, avaliam que rupturas prolongadas não interessam nem ao governo nem ao presidente do Senado.
A nomeação de ministros para o Supremo costuma gerar tensões políticas, sobretudo quando envolve articulação direta com o Senado. A indicação de Messias, somada a debates orçamentários e à pauta de aposentadoria especial, ocorre em um cenário de pressão e disputas internas, exigindo maior presença do governo na articulação.
O Planalto espera que o encontro desta quarta-feira marque o início de uma recomposição com o comando do Congresso. A resposta de Alcolumbre será decisiva para definir o avanço da sabatina de Messias e para a estabilidade das pautas prioritárias do governo nas próximas semanas.
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