Colômbia acusa Peru de se apropriar de ilha na tríplice fronteira com o Brasil

 

A ilha de Santa Rosa, na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia — Foto: Governo do Peru

Disputa territorial sobre a Ilha de Santa Rosa, no Rio Amazonas, reacende tensões diplomáticas entre os países vizinhos. Governo colombiano promete usar vias diplomáticas para defender soberania.

Porto Velho, Rondônia - A tensão diplomática entre Colômbia e Peru ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (5), após o governo colombiano acusar oficialmente o país vizinho de ter se apropriado de uma ilha localizada na tríplice fronteira com o Brasil. O centro da disputa é a Ilha de Santa Rosa, no Rio Amazonas, onde vivem cerca de 3 mil pessoas.

A crise se agravou após o governo peruano sancionar uma lei, no início de julho, que cria o distrito de Santa Rosa de Loreto, incorporando a ilha que, segundo a Colômbia, pertence ao seu território.

Reações e notas oficiais

A reação mais contundente veio pela manhã, quando o presidente colombiano Gustavo Petro publicou em sua conta na rede social X (antigo Twitter) que o Peru havia violado tratados bilaterais ao “se apropriar de ilhas que surgiram após a delimitação das fronteiras”:

“Surgiram ilhas ao norte da atual linha mais profunda, e o governo do Peru acaba de se apropriar delas por meio de uma lei, além de instalar a capital de um município em um terreno que, de acordo com o tratado, pertence à Colômbia”, escreveu Petro.
“O governo colombiano usará, antes de tudo, os canais diplomáticos para defender a soberania nacional”, concluiu.

A chancelaria colombiana reforçou a posição do presidente, destacando que a ilha surgiu naturalmente no curso do Rio Amazonas após a assinatura do Tratado de 1922, e que, portanto, sua jurisdição deve ser debatida entre os países.

Resposta peruana

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Peru rejeitou as acusações e reafirmou sua soberania sobre a região:

"O Governo do Peru expressa seu mais firme e enérgico protesto diante das declarações do Governo da Colômbia sobre os direitos soberanos e atos de jurisdição que o Peru exerce de forma legítima e legal, pública e contínua há mais de um século sobre a integridade de seu território nacional."

Segundo os peruanos, a Ilha de Chinería, onde está situada Santa Rosa, foi atribuída ao Peru em 1929 pela Comissão Mista Demarcadora e tem sido administrada desde então com presença institucional e serviços públicos.

Abandono e tensão diplomática

Apesar da disputa por soberania, relatos da imprensa peruana indicam que a ilha enfrenta sérios problemas estruturais. O jornal La República destacou que Santa Rosa vive em situação de extrema vulnerabilidade, com falta de água potável, energia elétrica e infraestrutura básica — apesar do potencial turístico da região.

A atual crise se desenrola em meio a um cenário de instabilidade diplomática entre os dois países. Desde a queda do ex-presidente peruano Pedro Castillo, em 2022, as relações bilaterais estão estremecidas. À época, Gustavo Petro classificou o afastamento como um "golpe de Estado" e retirou o embaixador colombiano de Lima. O governo peruano respondeu da mesma forma, e desde então, os diálogos oficiais são conduzidos apenas por encarregados de negócios.

Tríplice fronteira em foco

A ilha de Santa Rosa fica situada em uma região estratégica da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, onde estão localizadas também as cidades de Tabatinga (AM), Letícia (Colômbia) e Santa Rosa do Yavarí (Peru). A área é considerada sensível do ponto de vista geopolítico, econômico e ambiental, sendo frequentemente alvo de disputas por jurisdição, comércio informal e questões de segurança.

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