'Minha mãe perdoou o assassino, mas quer justiça', diz irmã de jovem morto ao bater palmas na casa errada


Irmã de Allan Ragner acredita que jovem confundiu o endereço porque não morava na região da zona leste, onde ocorreu o crime, em Porto Velho.

Porto Velho, RO - "Minha mãe perdoou o assassinado, mas quer justiça" , disse Águida Cristina sobre a morte de Allan Ragner, esfaqueado no pescoço após confundir um endereço e bater palmas na casa errada, em Porto Velho.

Durante entrevista, Águida relata que a família está "desolada" com o tamanho da tragédia e a forma como seu irmão foi morto. Segundo ela, Allan, de 27 anos, tinha um ótimo convívio com com a família e amigo.

"O meu irmão era um rapaz muito bom, era um ótimo filho, irmão, tio e amigo. Sempre muito carinhoso. Eu ajudei minha mãe criar ele. Pra mim é como se eu perdesse meu filho também. Quando sofri um acidente e fiquei totalmente dependente, o Allan colocou comida na minha boca e cuidou de mim. Como uma pessoa dessa pode ser alguém ruim? Ele sempre foi muito prestativo, parece que sabia que iria embora cedo", afirma.

Allan foi atacado no último domingo (17) quando retornava a pé para a casa onde acontecia um encontro de amigos, na zona leste. Na ocasião, o jovem de 27 anos errou o endereço e bateu palma, por diversas vezes, na frente de uma casa. O morador desse imóvel então abriu o portão e começou esfaquear Allan no pescoço.


Allan foi morto depois de bater palmas na casa errada — Foto: Wanderson Caldeira/ arquivo

Águida acredita que seu irmão confundiu a casa dos amigos com a do suspeito, pois ele não era morador da zona leste. Toda a família de Allan mora na zona sul de Porto Velho.

"Ele foi convidado para ir lá na social. Aí tinha um amigo que estava bêbado e ele foi acompanhar e deixar a moto na casa desse amigo. Quando voltava para a social, bateu no portão errado. No entanto, a única reação dele ao levar a facada, que ele não estava esperando, foi correr", relembra.

A mãe de Allan decidiu perdoar o suspeito do homicídio, mas a família quer justiça.

"Somos de uma família tradicional cristã. Minha mãe é missionária e dirige uma igreja na qual ele foi velado. Ele tinha princípios cristãos, foi criado na igreja e era temente a Deus. Minha mãe já perdoou o assassino. Ela disse que prefere seguir o que Jesus falou, mas credita na justiça", revela.

Segundo Águida, Allan não era casado e também não tinha filho. Ele trabalhava na entrega de refeições em um restaurante da família.

Jogador de futebol

Allan Ragner era apaixonado por futebol. Em suas redes sociais ele não escondia a sua felicidade quando estava no campo, jogando.

Segundo a família, o jovem já tinha atuado nas categorias de base do Moto Clube e chegou a ser profissionalizado pelo S. C. Genus. O irmão jogava na posição de meia atacante e foi destaque no time do Moto Clube na disputa do Campeonato Rondoniense Sub-17. Com o time, chegou as semifinais.

No profissional jogou pelo Genus e disputou três partidas na Série D do Brasileiro. Allan deixou o futebol profissional, mas jogava em times amadores nos bairros da capital.

O morador suspeito de matar o jovem foi preso no dia do crime e segue à disposição da Justiça em um presídio da capital.

Fonte: G1/RO


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