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Mourão diz que governo tem 'maioria confortável', descarta clima para impeachment e critica Moraes

 


Para vice-presidente, manifestações do 7 de Setembro em defesa do governo foram 'expressivas'

Porto Velho, Rondônia - Embora a discussão dentro dos partidos políticos sobre um eventual apoio ao impeachment do presidente Jair Bolsonaro tenha crescido após as manifestações governistas com pautas antidemocráticas, o vice-presidente Hamilton Mourão descartou, nesta quarta-feira,8, existir clima no Congresso para aprovar a cassação do chefe do Planalto. Ele também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), alvo preferencial de Bolsonaro nos discursos deste 7 de Setembro.

"Não vejo que haja clima para impeachment do presidente. Clima tanto na população como um todo como dentro do próprio Congresso. Acho que nosso governo tem maioria confortável de mais de 200 deputados. Não é maioria para apoiar grandes projetos, mas é maioria capaz de impedir que grandes projetos prosperem contra a pessoa do presidente", declarou Mourão a jornalistas, em sua chegada ao Palácio do Planalto.

Além do endosso do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), hoje um aliado do governo e que precisaria pautar o tema, a abertura de um processo de impeachment dependeria de voto favorável de ao menos 342 dos 513 deputados, antes de seguir para apreciação do Senado.

Depois de participar da cerimônia de hasteamento da bandeira, ontem, Mourão fez outro aceno a Bolsonaro, com quem tem uma relação conflituosa, ao criticar Alexandre de Moraes. 

"Eu tenho ideia clara que o inquérito que é conduzido pelo Alexandre de Moraes não está correto. Juiz não pode conduzir inquérito", avaliou o vice-presidente nesta manhã. Em agosto, o ministro do STF incluiu o presidente da República no inquérito das fake news e gerou revolta entre bolsonaristas. Ontem, o chefe do Planalto disse que não vai cumprir decisões do magistrado e afirmou ser necessário "enquadrá-lo".

Na avaliação de Mourão, "tudo se resolveria" se o inquérito nas mãos de Moraes passasse para os cuidados da Procuradoria-Geral da República. O atual PGR, Augusto Aras, é considerado um aliado político do Planalto. 

"A gente precisa distensionar. Existem cabeças ali dentro (no Judiciário) que entendem que isso foi além do que era necessário. Conversando a gente se entende", acrescentou o vice-presidente, sobre a tensão entre Executivo e STF.

Mourão, porém, não quis comentar os discursos de tom antidemocrático feitos ontem por Bolsonaro pelo que chamou de "questão ética", mas avaliou as manifestações como "expressivas": "É uma mudança isso aí porque as ruas sempre foram domínio da esquerda".

As declarações foram feitas antes de o vice-presidente embarcar para uma agenda na Amazônia. Devido ao compromisso, ele não deve participar da reunião de Bolsonaro com ministros no Conselho de Governo, que ocorre nesta manhã.

Fonte: O Estadão

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